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Debora King

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Previsão

E eu persisto numa futura dor vendo teu abraço se afastar

Te vendo atar os braços a outro corpo

E os sonhos que eu sonhei passaram por transfusão

Transmissão aleatória a um passado que não era eu.

.

E eu continuo tentando contra o passado

Me abrindo inteira pra receber uma dor certeira

a certeza é o teu brilhar em outros amanheceres

Quando pra mim tudo virou crepúsculo

.

Decidi que não quero mais tentar quando o inevitável se abriu aqui

Mas me diz uma vez só que esse não é o fim

Que não é agora que eu vou ver o chão se abrir mais uma vez

Eu não quero mais cair desse penhasco onde eu sempre me prendo

.

Eu vou procurar socorro no abraço que não se abre

Me exauri de tanto cair no mesmo fundo

Essa dor imensa que me rasga completa não compensa

A chaga que abriste sem uma palavra.

 

Uma carta…

A distância física não importa, quando os teus pensamentos estão conectados aos meus. E apesar da falta que faz teu toque, é essa saudade que não larga de mim o que me move na tua direção. E nas tuas palavras é onde me abrigo, me sustento e me aqueço.

Por vezes me questionei o destino que nos fez tão longe… mas percebo que nem tão longe estamos quando vejo a tua presença vazando do mais raso de mim.

Eu me agarro à saudade que eu sinto de uma existência que eu pouco toquei e mal sei qual a textura. Me ato a uma ausência sentida que se aparta a cada passo e me aperta o coração em uma dor sem cor nem cheiro.

Me lanço e me abandono nesse turbilhão do eu que tanto se apega ao afago que não tem, nessa busca perdida de ti, que somes e me jogas além do que meus olhos alcançam.

E as minhas vontades são um mar de interrogações angustiantes que me deixam à mercê de incertezas sobre uma inexistência tão minha que teus olhos se materializam aqui.

É num verbo sem fim que me calo nessa tentativa angustiante de te convencer a cair em mim hoje, agora, de imediato e pra sempre.

Sem título #011

Quem sabe um dia te conto
… dos meus segredos, meus medos
Talvez até mesmo eu te conte
… de como brotas sempre de mim
Florido, desenhado em palavras
.
Eu te assustaria se te contasse
que só pelas letras eu te vejo e te construo
E é só por elas que te destruo e te aparto
As letras, as flores e a mudez de ti
E minha lua ansiosa espera incansável
.
Não me abandona por eu ter te contado
o quanto se escancara o meu sorriso
Não foge por saber que tua ausência inexiste no meu peito
Volta, deixa que eu te diga…
Que teu tamanho em mim é maior que a nossa distância.

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