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Debora King

Categoria

Poesia

Das lições tortas

     Certa feita me foi dito que minha última decepção afetiva era uma lição que eu tinha a aprender. Continuar lendo “Das lições tortas”

Mais uma vez

Pela derradeira vez Continuar lendo “Mais uma vez”

Viúva de um amor abortado

A saudade se amarra a mim como um grilhão se prenderia ao tornozelo Continuar lendo “Viúva de um amor abortado”

Diogo

Os ventos correram, os dias passaram, a paisagem mudou Continuar lendo “Diogo”

nada de nós

Caiu no fundo do nada
toda a eternidade que se prometeu
as sensações conjuradas se deixam
e caem no abismo sistematicamente

cada novo ciclo que se abre
tem calendário determinado
maktub, me dirias
não guardo teu adeus, diria eu.

toda a dureza que carregas
me engana e se vende por paz
e meu sacrifício se abandona
porque ter memória é ser amaldiçoado

deixo aqui, do nada que te dei,
o mesmo nada que me ofertaste
devolvo a cortesia do ser invisível
o delete implacável do esquecer

Poeminhando

Ele desinteressa
Ela desespera
Ele age indiferente
Ela forja compostura
Ele ama uma
Ela ama ele
Ele vai embora
Ela sobrevive

Não

Me seguro na inconstância

Essa insegurança acompanha a solidão

Estou prevendo o adeus de teus olhos

Esse par que não me contempla mais.

.

A minha sedução se apartou de mim

É a quebra dos nós que forjamos

Os nós que nos atavam

O nós que nos fazia um

.

A disparada do meu peito descompassou

Em que momento eu te falhei?

Te desenhei nos meus afagos, não bastou?

Foi a minha sensibilidade que te afogou?

.

Nem a minha mão estendida vale teu aceite

Eu não tenho mais o que ofertar

Só me restam correntes e palavras

Podes ir, não vou te acorrentar

.

Não te aparta nem mais um passo

Que eu não sei mais o que eu faço aqui

Meu passo curto não te alcança mais

Fecha as asas, os olhos, não foge de mim.

Fuga

Eu corro, tudo, sufoco, firo e fujo
Cega louca perdida e sem cor
Frígidaraivosainconsciente
Tiro nenhum te atinge
Tiros em mim
A maior morte é odiar sem revelar
Autoflagelomutilação
Auto eutanásia cegueira chaga maldição
O fardo pesa mais que teu cadáver

Ficção

Não vou me desfazer do silêncio das minhas horas

Já te ofertei dias de palavras

É período de reconstrução, recuperação

A cada minuto de silêncio reergo a minha fortaleza

.

Não me julga por estar escondida atrás de uma muralha

A mim foi bem prazeroso pichá-la

Maquiar meus horrores com palavras é meu dom

A arte de fingir ser quem não sou é o que seduz

.

Não te perde na imensidão dos meus olhos

São apenas janelas embaçadas pro que escondo

Na escuridão interna a visão externa se turva

e atenua as coisas que parecias enxergar

.

Se livro fosse, estaria com palavras por escrever-me

Me escreveria a contento do leitor

Algumas verdades são meros detalhes

Nada condizentes com toda a ficção em mim.

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