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Debora King

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Pensamentos

As estações e o ciclo do coração

     Depois de um inverno rigoroso, o sol sempre volta a brilhar. Continuar lendo “As estações e o ciclo do coração”

Sonhei

    Esta noite sonhei contigo, mas não foi um sonho qualquer. Sonhei contigo e não me vias, enquanto isso eu te observava.

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Solidão

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Das lições tortas

     Certa feita me foi dito que minha última decepção afetiva era uma lição que eu tinha a aprender. Continuar lendo “Das lições tortas”

Pessimistas me perturbam

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lâmpadas de sódio

     Sob o céu noturno que se coloriu de laranja eu vejo uma história sendo remontada e a pontada lancinante que me percorre é nada além de memórias que se blindam de nostalgia, para não se desfazerem mais. E os sons frágeis que me circundam me transportam para uma noite debaixo deste mesmo céu, quando as estrelas nos miravam numa recíproca cíclica e minha mão na tua encerrava o frio que poderia nos abraçar. Éramos intransponíveis, uma força transcendental única, e éramos somente nós, um, perante o vento imperdoável e o som do mar era o único a ousar nos interromper… sinto saudades de ouvir a nossa respiração tão compassada quanto nossos passos e os risos.  E o meu medo da perda já inexiste.
     A fragilidade que me abateu se apartou de mim quando eu optei por novamente dar as costas para o que me moveu. Se apartou de mim a fraqueza quando eu decidi que a peregrinação se faz melhor quando se faz só. Uma respiração, um par de mãos. Apenas um coração. E a coragem de olhar pra cima e rever as estrelas sem outro calor, me tornando vento com o que restou do som do mar dentro de mim. Eu me dissolvo, me disperso e me encontro una. E me basta a independência, meus passos já são impacientes demais e não encontram o compasso que um dia foi compartilhado. A vida é uma, bem como eu. E o caminho é sem volta, desvia os teus atalhos, pois agora me restou a linha reta que eu mesma projetei.
     Duas solidões nasceram esta noite, debaixo das lâmpadas de sódio que já foram a iluminação de uma história. Fecham-se as cortinas, varre-se o palco. Acabou o figurino, o script se auto-destruiu e o improviso agora orquestra o caos do que um dia foi monotranscendência. Junte seu figurino, apague a luz ao sair… esqueça as estrelas e deixe a mão no bolso, o frio é grande nestas noites de vento. E os meus olhos são o mar.

Saturno, Ka, Cronos, Karma,

     2013 foi ano regido por Saturno, o planeta que representa o deus do tempo, do karma, da vida e da morte, das obrigações, da maturidade, do trabalho. E foi um ano que, de fato, Saturno me atropelou furiosamente. Não só a mim, mas a todos os mortais… a influência dele atropelou muita gente, destruiu e reconstruiu muita coisa em muitas áreas. Mas a mim, ele fez reavaliar coisas, mudar posturas à base da força bruta daqueles anéis de pedra dele. 

     Então, depois de um janeiro pavoroso, decidi que ignoraria as mensagens de Saturno pra mim, baixaria a cabeça e trabalharia como um animal em prol da manutenção do meu coração de Pollyana mesmo com todos os problemas que me apareceram ao longo do caminho.
Não houve área da minha vida que não tenha sido afetada de forma extremamente negativa por Saturno neste período, e todos os problemas a serem resolvidos se mostraram para mim logo na arrancada do ano que passou. Pensei que não seria capaz, acho que foi isso o que mais me impulsionou a ignorar a presença do grande maléfico pendendo sobre a minha cabeça e tentando me aniquilar.
Vivi mês a mês contando os mirrados, remoendo os ódios que me apareciam no caminho, me sofrendo por punições que eu julgava terem sido suficientes e que nunca terminavam. Só a minha saúde não definhou, porque de resto não faltou mais nada pra se estragar. Não é ser negativa, isso é realismo saturnino.

     De setembro do ano passado para cá, as provas ruins foram se encerrando, uma a uma. Cada vitória, uma recompensa diferente. Prêmios por mérito da força dispendida em me manter de pé e que, inconscientemente, ocasionaram vitórias que eu nem sonhava. Novembro tive uma última prova só pra me lembrar que sim, o horror é real e que a precaução é necessária sempre, senão Cronos vem e derruba. E as vitórias foram sendo tantas que cheguei ao ponto de não me ver merecendo tanto… até que hoje, com essa Lua em Virgo, meu senso crítico me desenhou em minúcias o que realmente foi 2013.

     Agora, março de 2014, teoricamente um ano jupiteriano, eu recebi a última recompensa de Saturno pela minha disciplina ao longo de todo o horror que permeou meu 2013. Minha mãe acabou as radioterapias dela, os prognósticos médicos são mais positivos do que poderíamos esperar. Foi a primeira rasteira de Saturno pra mim no ano passado. E a mais esperada vitória que eu queria… chegou por último pra coroar tudo o que passei e venci.
Mal caibo em mim quando vejo o passado e o agora, em todas as áreas da vida que me interessam e que foram superadas. Estou comemorando as conquistas uma a uma. Mas não comemorando no sentido Jupiteriano do termo… no sentido Saturnino dele. Trabalhando melhor, me acautelando mais, segurando mais o dinheiro, planejando e executando de forma mais minuciosa, mantendo os meus segredos somente meus, preservando meu coração das exposições ao mundo, amando mais os meus.

     Às vésperas do meu Retorno de Saturno (9 meses e contando), estou temerosa e ansiosa. Torço que não seja dolorido como o que vivi em 2013 (muito embora saiba que, pela intimidade do que tratará o meu retorno pessoal, vai sim doer), mas desta vez estou mais previdente, prudente e observadora. Momento de separar o joio do trigo, de modelar minha armadura e organizar minhas provisões para a grande batalha. Tenho estudado o céu como louca e sei bem o que me aguarda. Mas e será que tenho coração para tanto?

     Que Saturno nos proteja pelos nossos merecimentos.

Deboches from Madagascar

Todos temos peculiaridades, esta é uma regra sem exceção. Outro fato quase inegável é que a maioria de nós debocha da própria peculiaridade. Um cabelo desobediente, um nariz torto, um estrabismo, aquela canelinha fina… enfim, aquela característica mais pessoal e mais marcante de cada um – e aquela, justamente que dá mais dores de cabeça no convívio social.

minha peculiaridade em comum com a Gloria (Madagascar-Dreamworks), a sensualidade exagerada a ponto da perturbação
minha peculiaridade em comum com a Gloria (Madagascar-Dreamworks), a sensualidade exagerada a ponto da perturbação

A foto acima gerou o caos silencioso no meu finado Facebook profissional. Digo silencioso por haver sido duramente criticada pessoalmente (e não nos comentários públicos) por causa da legenda que coloquei na foto na época (“Achei minha irmã gêmea no Beto Carrero”).

Claro que os mais chegados entenderam o deboche e levaram na boa. Os mais agressivos tentaram me ofender enquanto os “pitaqueiros” de plantão vieram me ensinar que não posso me depreciar/avacalhar assim.

Peraí então… eu comparar a minha imagem com a imagem de uma personagem que muitos acham “fofa” é auto depreciação? Ai gente, peguem leve, né? Tenho plena consciência da minha forma física. Sou uma obesa mórbida sem crises (apesar das afrontas sociais diárias) e não acho feio me comparar a outros modelos plus size, como a personagem de uma animação.

Pergunta= supondo que eu fosse magra e loira e fosse à Disney, lá eu tiro uma foto com a Cinderela e faço a mesma legenda para a foto nas redes sociais. Isso é depreciativo?

Aposto 1 real que a resposta foi “não”. Isto me leva a crer que eu me intitular “gorda” é depreciativo, porque “magra” ainda não é visto como termo ofensivo. Eu poderia discorrer por horas acerca dos adjetivos mal interpretados, mas não é o meu foco e o meu recado hoje é reto.

Aprendi nos últimos anos que as pessoas que mais se preocupam com a forma física dos outros são justamente as que se sentem mais agredidas pelo que enxergam em seus espelhos. Não cabe a mim julgar as variantes do amor-próprio.

Mas cabe a mim pedir que haja respeito nos julgamentos. Cada um sabe o que quer para si e o quão limitado ou não o seu amor-próprio é. Se aquela menina esquálida não quer engordar, escolha dela. Se o “cara imenso” não quer “fechar a boca”, assim seja. Chega de querer determinar a vida dos outros pela nossa.

Se há algo de irritante em ser o obeso da turma, são os papos de dieta e a crítica feroz que nasce do discurso dos aspirantes a magros. A fala deles deixa implícito todo o pensamento agressivo deles contra as pessoas gordas. Não é incomum ouvir-se termos como “monstr@”, “horrível” ou “lixo”. E a coisa só piora ao descrever as partes do corpo e o tratado pró-burca (sim, gordos não podem se expor).

O que eu quero com isso? Fazer com que se repense o tipo de babaquice que falamos e pensamos. Claro que abordei mais a MINHA peculiaridade, e muito superficialmente, o problema é bem maior, mas qualquer outra peculiaridade poderia se encaixar por aqui, o anormal é monstruoso na cabeça de gente ignorante. Todos somos reprimidos externamente (e eternamente) por algo arraigado a nós e uma mudança é sempre relacionada a um fundo sexual ou a um problema de saúde. Não devemos abrir mão do que nos faz felizes. Eu esperava que o mundo fosse satisfeito consigo como eu sou, já que gente feliz não enche o saco.

Abraça o teu ser, com todas as imperfeições que te fazem únic@ e não deixa que te convençam de coisas ruins. Pensa no quanto a insatisfação consigo mesmo e a falta de amor-próprio devem ser tristes. Ninguém determinou o feio e o belo, sequer o certo e o errado. Então não te permite aceitar o que vai te fazer mal. Podemos ser o que/quem quisermos ser, mas sem nos amarmos primeiro, qualquer caminho será sem destino.

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2014 e uma nova visão

2014

Então cá estamos em mais um janeiro cheio de promessas, metas, sonhos por realizar e vontades sem fim.

Como é bem sabido, 2013 foi um ano duro para mim, em todos os sentidos, mas consegui sair ilesa. Houveram perdas no caminho, mas nada de muito significativo se comparado às vitórias que alcancei.

Há de ser dito que os tapas na cara que tomei foram mais do que merecidos, porque a vida não é como uma mãe… ela nunca vai ensinar pelo amor.

Aprendi com 2013 que eu tenho que ouvir mais a minha intuição, do contrário seguirei quebrando a cara repetidamente. Aprendi também que a minha força é maior do que eu imaginava, tanto física quanto espiritual. E que a minha paciência não é tão finita quanto eu pensava… ela vai até além do que eu gostaria ehehe…

Para 2014 eu quero um ano mais leve, quero mais saúde, quero só o que for bom pra mim, porque a minha cota de falsidade estourou em 2013 e me sinto plena de ter eliminado as ervas daninhas do caminho. Optei por um egoísmo mais saudável, doando o melhor de mim apenas a quem eu sei que me doa o melhor de si. Diria até mais… doando o melhor de mim a quem verdadeiramente se importa comigo.

2013 acabou, os problemas amansaram e a vida parece ter se renovado! Então que 2014 venha manso e venha bem, que estou de braços abertos a esperar!

***

Dia 15 o blog vem com força total, é uma das minhas metas para 2014, menos stress e mais palavras. E assim há de ser, meu tempo livre será voltado para os meus projetos abandonados… meu artesanato, minha escrita, minhas leituras e meu blog tão querido ❤

Mesmo parada com os crochés (meu pulso direito não está lá uma brastemp), prometo que voltarei com as traduções de amigurumi. Toda terça-feira tem receitinha nova, pode anotar aí na agenda.

Até o dia 15 então, e que 2014 venha com muito pé no chão, muitas metas alcançáveis e muita saúde!!!

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