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Debora King

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Inéditos 2012

29 de outubro

Dia nacional do Livro.

Era pra ser feriado, pra gente ficar em casa lendo e tomando café, feliz da vida.

Mas não, o feriado da semana é uma celebração à morte e tudo de bom que ela traz quando as pessoas morrem: A multiplicação da vida de vermes, moscas e baratas nos entes queridos.

Então na sexta todos iremos aos cemitérios com flores MORTAS homenagear pessoas a quem tanto amamos um dia e hoje em dia só lembramos em aniversários, assuntos desagradáveis e finados.

É, e talvez tenha uma procissão cantando músicas animadíssimas da missa de 50 anos atrás, com aquele padre de fala esquisita rezando pelas almas dos que já se foram quando nem eles mesmos sabem no que creem quanto ao post-mortem.

E as véias fingindo que concentram o pensamento no Jesus adorado quando, na verdade, estão tendo crises de ausência ou estão tendo de arranjar forças do além pra se manterem acordadas no meio de tanta abobrinha. Palavra da salvação.

Diante de tanta coisa linda dos finados, os cemitérios lotam com o pessoal que vai limpar as sepulturas e recolocar flores que gritam, aos berros, com aquele cheiro de morte, que estão sendo sacrificadas por gente tão morta quanto elas, que não são gente, mas não merecem essa cultura caótica de morte que implantamos por aí.

Nunca vou entender essas coisas. Um dia do ano para lembrar os mortos. Lamento, mas os mortos um dia foram vivos e foram amados pelas pessoas próximas a eles. Será mesmo possível que as pessoas precisem de um dia no ano como quem precisa atar uma fita no dedo para que se vejam forçadas a lembrar que restou ainda alguma obrigação com o finado? Será que essa lembrança não deveria ser obrigação dos laços de afeto que a vida fez por onde estabelecer?

E mais, se a pessoa morreu… que coisa é essa de guardar em caixa, aprisionada, num quadradinho debaixo do chão ou em um paredão? Liberta a pessoa que já se livrou do fardo de uma vida mortal aqui nesse inferno! Cremação é caro, eu sei. Não dá de soltar a apodrecer na rua também… mas deixa virar pó, exuma e pronto. A pessoa não está ali. Sobraram poeira, trapos, baratas, mofo e lascas de madeira na tumba que tanto se limpa em todo 2 de novembro.

Homenagem se faz em vida. E na morte se pede que o universo acolha a alma de quem se foi (pra quem acredita em alma, porque se não acredita, faz menos sentido ainda cuidar de um jazigo).

Botem na minha conta, além do ódio à morbidez dos aniversários, o ódio ao dia de finados. A obrigação de lembrar os mortos é NOSSA. E fim. Se não lembrou, não tem problema, nem a consciência vai incomodar, já que não lembrou mesmo.

a razão do absurdo

Sonho em ser escritora desde que aprendi a escrever. AINDA sonho em ser escritora. Sonho em me lançar, em vender todas as loucuras que a minha mente regurgita de vez em quando.

Primeiro aprendi a escrever, depois aprendi a me jogar de corpo inteiro nas letras que a minha destra traçava… De começo era onde eu soltava meus monstros. Um não materno a uma festa, uma paixão platônica nunca correspondida, o ódio por uma professora, as vontades, os sonhos… e a escrita saltou às coisas que não existiam. Foi quando vi que minha imaginação me tornava alada.

Não sou única nisso, certamente no momento em que lês isto, existe alguém escrevendo em qualquer lugar, expurgando os demônios internos em papéis, em telas de computadores, nas paredes da própria casa, na pele. E, perto de mim, existem vários amigos que dividem o gosto pela escrita e o sonho da publicação. Do tipo de louco que cria poesia no ar depois de beber umas e outras, porque a capacidade de redigir abandonou o corpo.

Pra mim a razão do absurdo está em ver razão no absurdo que é criar um mundo de palavras. O objetivo de mostrar esse mundo ao mundo concreto, palpável. Colocar razão real em um mundo imaginário é a razão do absurdo. A razão do irreal, do surreal, do impensável. Meu absurdo, minha razão.

Mas existem outras razões de outros absurdos e toda essa verborragia é pra apresentar aos que me acompanham o livro que um amigo estará lançando agora em novembro. Acompanhando o nome que o blog ganhou por acaso, o livro se chama A Razão do Absurdo, com contos inéditos e um e outro contos do blog que botou o Paulo na rua.

 

Ironicamente, o gurizinho da capa me lembrou o Paulo na época que ele “escapou” do mestrado… ironicamente, claro.

Ao ver a foto das caixas dos livros abertas pelo Paulinho, meu coração se derreteu. Vi ali meu sonho, realizado nas mãos de alguém por quem guardo um carinho enorme. Me realizei junto, só de ver. E quero, de todo meu coração, que o Paulo suba degrau a degrau esse desconhecido que é o mercado literário. Precisamos de sangue novo, de escrita nova, de universos de papel jamais pensados.

O Paulo é um cara da minha idade, formado em Letras, agora mestrando em Literatura. Está se lançando oficialmente na segunda semana de novembro. Será o primeiro livro de muitos!

Quem se interessar, só fazer contato, o livro custará 15 reais (mais frete para quem é de fora). E em breve teremos A Razão do Absurdo em uma promoção do blog Debora King e no próprio A Razão do Absurdo.

Que venha o lançamento então!

Ah, e  caso o cara fique famoso aos extremos… Ele já tomou cachaça no MEU microhome 😉

às moscas

Peço desculpas ao pessoal que me acompanha e que me visita com frequência em busca de novidades no blog…  os últimos dias andaram sendo difíceis. Acredito que esta semana eu retome o trabalho do blog com um pouco mais de decência.

Sei que estou sendo relapsa e que o blog anda às moscas, justo às vésperas dos primeiros sorteios que tanto planejei. Mas a vida de vez em quando apronta umas e outras e o melhor que nos resta é a ausência das coisas que nos circundam. É um erro, considerando o quanto gosto do blog e de escrever as minhas porcarias.

Agradeço a todo o pessoal que compartilha trechos meus pela web, que indica meu link, que comenta postagens e que me cobra incansavelmente via e-mail. Ando percebendo que o blog não é mais só meu, mas de um círculo de amigos que gostam do que eu escrevo e que esperam novas receitas de amigurumis em português.

Que os ares de outubro sejam favoráveis… e vamos lá!

 

Longos dias e belas noites, queridonas e queridões!

 

 

Obs.: quando batermos a marca das 3.000 visitas, lanço o primeiro sorteio!

Pássaro

Me diz como eu ato as asas que eu tento abrir quando as tuas já alçam voo. Me ensina a trilhar um caminho novo quando as minhas rotas se tornam rotas e tortas porque já não sei mais por onde voar quando não tenho o teu abrigo que me fecha e cantarola até que eu durma

Deverias ter percebido que fazer de mim pássaro me aprisionaria numa gaiola imaginária que ninguém vê, mas também ninguém entra.

Me explica teus motivos pra tornar alados outros seres enquanto as minhas asas ainda não tem coragem o suficiente pra se expandirem. Eu sou um Ícaro com ares de Prometeu…acorrentada ao nada que se ergue em direção a um horizonte que eu não me vejo alcançar.

No azul do céu que me pertenceria eu vejo os teus olhos que me afogam numa nuvem de tudo o que eu sonhei e que agora evanesce… e as minhas mãos são insuficientes pra remontar a nuvem que eu pensei ser palpável.

Voa, mas me deixa uma nuvem aqui. O sol lá fora é tão perturbador quanto o teu voo que me abandona e vai me deixar aqui, de asas erguidas e sem coragem pro salto que há de ser ou minha salvação ou minha danação.

…….danação é ser alado.

Angry Birds! Quem não ama?

 

Quem nunca jogou Angry Birds, não é mesmo?

Pois então, por que não crochetar um?

Para visualizar a receita e imagens, é só clicar  AQUI.

Para salvar a receita no teu computador, usa os ícones de atalho na parte inferior direita da tela que vai se abrir com o documento.

Bom croché!

Obs.: Em caso de dúvidas, usa os comentários. 

Ramon, meu primo amado,

A cada vez que eu penso em ti o meu coração se aperta. Não que isso seja mau, mas eu não queria te amar assim. Me dói pensar na tua partida e pensar todo o tempo que desperdicei ausente porque “assim é a vida adulta”. Tanto trabalho, tanto estudo, tanta correria… e tanta ausência. Sei que não precisaste de mim, mas quem vai ter uma lacuna agora sou eu.

Primo, eu sei o que passaste, sempre conversamos muito sobre tudo e eu conheço a tua força e sei que a tua alma já vem pronta pro que vier desde sempre. Difícil pensar que cada tchau pode ser o último e eu sei que sempre falei que “todos vamos morrer” e que ” a diferença é que uns vislumbram a navalha descendo enquanto outros são deitados de costas na guilhotina”. Mas a morte é real e eu que fico por aqui mais uns dias não sei nem como  me despedir, nem como falar tudo o que ficou de lição, nem do quanto gosto de ti.

Tu que sempre elogiaste meus poemas vais estranhar a minha falta de destreza com as palavras nessa hora tão dura em que sei que estás partindo. Fica ciente que pra mim foi um prazer dividir parte da existência contigo e que um pedaço meu vai junto pra onde quer que vás. E que fica, se ficares. Teu riso, teu jeito apressado de falar, teu abraço apertado que não se abre mais por falta de forças, tua força interior imensa e vontade de viver iluminaram o meu pessimismo.

E esse coração apertado que eu tenho carregado é o peso da saudade que começa a se anunciar quando eu sei que me reconheces só pelo teu olhar, já que as tuas palavras se ausentam.

Se tiveres que ir, vai… Deixa a tua dor por aqui. Os espíritos livres precisam voar e vai ser o teu amor o que vai te salvar. Mas se fores ficar, eu quero pelo menos mais um mate contigo, pra me contares naquele teu entusiasmo adolescene dos filmes que viste, dos livros ruins que leste, das peripécias da Manu e dos sonhos que sonhaste noite passada…

O leitor vira escritor

Como habitual, quem me visita costuma me ler.

Mas hoje quero algo diferente, quero ler quem me lê.

O desafio é o seguinte: vou propor um início, vocês dão sequência. Os melhores eu vou fazer a revisão ortográfica e postarei aqui no blog ao longo dos próximos dias. (sim, porque não posso premiar ninguém ainda, quando famosa e rhyca, quem sabe…)

Vou aceitar os textos pelo e-mail: teacherdebora@live.com Sob o assunto: O leitor vira escritor. Os textos podem ser mandados em qualquer formato (doc, docx, pdf…) até o último dia do mês de setembro.

Então eis a proposta (a ser personalizada a critério, já que escrevi em discurso direto para quem vai escrever):

 

     Um dia acordas, pensando estar na tua cama – afinal foi nela que deitaste antes de ferrar no sono – e te encontras em um ambiente sem portas nem janelas, só o céu fica visível. É um grande quadrado 5×5, completamente  branco, com a cama e mais nada.

No desespero, levantas e encontras os únicos dois objetos da peça (além da cama e do travesseiro): um lápis e um bloco de anotações sem linhas, todo branco.

 

 

Sereias

Eu só ouvi a porta bater. E fui eu quem bateu ela. E tu ficaste ali, parado, olhando pra porta fechada à tua frente. E o teu silêncio me matou, o teu conformismo me doeu fundo, mais do que possas crer. E, enquanto eu caía no mais fundo do teu conformismo, o meu corpo se comandava e eu não sentia mais nada. Só o frio do piso que havia acabado de beijar os teus pés.

Mais um fim pra minha coleção e eu já não posso suportar o que vai ser das minhas horas silenciosas. Não que já não tivesse o silêncio… mas no fundo dele ainda havia uma esperança teimosa que me dizia que ia mudar, que podia mudar, que TINHA que mudar porque o meu desespero me consumia enquanto eu consumia as unhas e os cigarros.

E o pior de tudo foi não conseguir te desenhar de maneira clara o suficiente o quanto cresceste dentro de mim de uma forma selvagem. Fui incapaz de te dizer o quanto reverberava aqui, no peito, o que eu carregava por ti. Eu tinha flores em mim, lembras das margaridas ao sol? Eu tinha riso e som e agora só me restou esse silêncio no piso gelado, já que nem os teus passos eu quero ouvir.

E deixas aqui o mesmo que levas contigo, uma mala de mágoas, ofensas e toda a minha perturbação. E a minha carência é um mar onde eu afogo quem ousar olhar dentro dos meus olhos e viajar para dentro de mim. Mergulhar no desconhecido é sempre um risco. Eu sou um mar bravio.

Mas todas as despedidas são insuficientes quando as partidas ficam tão suspensas. São dois silêncios se confrontando e nem todas as palavras que existem são suficientes pra que eu deixe claro tudo o que eu preciso dizer. E o relógio fica tiquetaqueando na minha cabeça dizendo “vai, abre a porta, ainda tem tempo de dizer o quanto te importaste, o quanto quiseste, o quanto tinhas pra dar de ti e não deste, faz com que ele volte, rápido”.

É um nó no peito que sobe pra garganta, os olhos que pesam, o ímpeto de gritar que eu sufoco. Não vou chorar, não vou chamar. Não quero, NUNCA CONHECI, nunca quis tanto assim. Me deixa aqui no silêncio, eu sempre gostei dessas horas solitárias e desse chão frio. Relógios não falam.

A mulher no parque

     Foi sem maiores discursos que aquela mulher se desfez da proteção dele. Simplesmente tirou as mãos de seu protetor de seus ombros e sinalizou-o que partisse. Não se interessava em pensar como se sentiria depois disso, ele que fosse pro inferno porque ela queria e mais nada.

     Ele atendeu, aquiesceu e partiu. Na linha do horizonte o céu tomava matizes de lilás. Um fim de tarde romântico. Um fim romântico sem amor. Era o desfile de samba da vida apresentando todas as atrações possíveis.

     Vê-la sentar-se no gramado do parque era de causar surpresa. Ela se desfez do abraço dele pra ver o sol cair. Inconsequente, fechou os olhos pra sentir os últimos raios solares lhe tocarem enquanto os passos de seu passado se multiplicavam. Respirou fundo para preparar uma inquietação tardia.

     A tal mulher levantou-se de um lance só, espanou a poeira e suspirou. Parada, franziu as sobrancelhas e ensaiou uma palavra… desistiu, engoliu a palavra e mordeu o lábio inferior. Olhando para o chão, partiu de costas para o sol e para a partida do braço que lhe afagou. Apesar do peso que levava agora, sabia mecanicamente que o fim era isso, somente um dar de costas.

 

 

 

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