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Debora King

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Fragmentos

A mulher no parque

     Foi sem maiores discursos que aquela mulher se desfez da proteção dele. Simplesmente tirou as mãos de seu protetor de seus ombros e sinalizou-o que partisse. Não se interessava em pensar como se sentiria depois disso, ele que fosse pro inferno porque ela queria e mais nada.

     Ele atendeu, aquiesceu e partiu. Na linha do horizonte o céu tomava matizes de lilás. Um fim de tarde romântico. Um fim romântico sem amor. Era o desfile de samba da vida apresentando todas as atrações possíveis.

     Vê-la sentar-se no gramado do parque era de causar surpresa. Ela se desfez do abraço dele pra ver o sol cair. Inconsequente, fechou os olhos pra sentir os últimos raios solares lhe tocarem enquanto os passos de seu passado se multiplicavam. Respirou fundo para preparar uma inquietação tardia.

     A tal mulher levantou-se de um lance só, espanou a poeira e suspirou. Parada, franziu as sobrancelhas e ensaiou uma palavra… desistiu, engoliu a palavra e mordeu o lábio inferior. Olhando para o chão, partiu de costas para o sol e para a partida do braço que lhe afagou. Apesar do peso que levava agora, sabia mecanicamente que o fim era isso, somente um dar de costas.

 

 

 

riscos

Eu desenhei a tua ausência nos cantos mais fundos da minha escuridão. E alimentei a tua falta o quanto pude para vê-la crescer no lado mais raro de mim. E ela se constituiu a ausência mais linda que já pude ver.

Eu construí a tua falta peça a peça pra levar o peso de não te ter. Eu precisava do que carregar, então nas noites tristes eu embalo a minha solidão falsamente forjada pra achar uma razão que me mantenha em pé e ocupada.

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