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Debora King

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Deborinha

Mas que filme triste!

Esses dias, conversando sobre desilusões amorosas, fiquei tentando me lembrar quando foi a minha primeira desilusão. Não precisava ser uma grande, mas precisava ser uma desilusão, mesmo que em um nível menor… aí eu me lembrei  e ri.

Minha primeira desilusão não foi nem minha. Pra ser sincera, foi de alguém que eu nem conhecia, mas me fez chorar por horas…

Sente só o drama: em 1994, 1995, sei lá, eu ganhei dos meus pais o lançamento de Sandy & Júnior daquele ano, o “pra dançar com você”. Eu, com meus 8 ou 9 anos, adoraaava Sandijunior. Achava o máximo aquelas duas crianças que cresciam junto comigo, já que a Mônica e a Magali eu tinha feito a magia de conseguir passar da idade delas (inocência triste).

No tal cd tinha a música “Filme Triste” , que também não era deles, era da moça do Estúpido Cupido (pra longe de mim), a Celly Campelo. A música dizia algo tipo isso:

Meu broto me avisou que ia estudar (aiaiaiai)
E ao cinema eu fui me distrair (aiaiaiai)
Ao chegar nem quis acreditar, eu vi meu bem sentado com alguém em frente a mim.
Os dois agarradinhos eu notei (aiaiaiai)
A minha melhor amiga me traiu. (aiaiaiai)
Trocavam beijos e eu quase morri.
E do princípio ao fim do filme eu chorei

OuOuOu
Filme triste que me fez chorar

E ao chegar em casa mamãe viu (aiaiaiai)
Os meus olhos vermelhos de chorar (aiaiaiai)
E abraçada a ela eu expliquei que o filme foi tão triste que eu até chorei…

E a Deborinha, desde muito novinha presa às palavras, ouvia com atenção à música que tinha até um trecho da trilha de ET no meio, quase que morre quando descobre que a melhor amiga era uma piranha traidora cachorra sem-vergonha. Pobre Deborinha, chorava de soluçar! Que desilusão, coitadinha da Sandijunior!!! Como me doía aquilo. Chorei junto cantarolando ououououfilmetriiiisteeeeeequemefezchoraaaar snif!

Minha mãe, coitada… a essas alturas nem se surpreendia mais com meus surtos de loucura, veio ver o que acontecia que eu tanto chorava e soluçava com aquele cd na mão e os headphones nos ouvidos. Claro que eu precisava manter a mentira…

– Mãe, o filme foi tão triste… que até EU chorei.

No cinema com os alunos

Chego ao cinema com duas turmas da escola em que trabalho, no cinema havia outra escola na mesma sessão.

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Vem a babaca:
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– Debby! O que estás fazendo aqui?

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– Vim comprar uma tanga comestível e um pinto de plástico   Tô de dieta, vim aqui pra me pesar.

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– Hahaha sempre fazendo uma gracinha, né Debby?

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– Ah sim, eu sou sempre uma gracinha!

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Depois se eu cometo um homicídio quem vai presa sou EU!

CUma?

Minha mãe, bem bonita que é foi ao meu trabalho me levar aqueeele remedinho pra cólicas (Não, Atroveran, não vou fazer teu marketing, tá?).
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Uma das minhas colegas de trabalho foi me alcançar o tal remedinho e começa a pérola da ostrinha:
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– Foi essa a tua mãe que sofreu uma isquemia cerebral?
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– É, acho que sim, ainda não conheci minhas outras mães…

Tu já ficou com alguém???

 Estava lembrando com meus botões um ‘causo’ que me aconteceu quando eu tinha lá meus 9, 10 anos de idade, tempo em que eu ainda gostava de ir pra praia salgar a bunda e ter ensolações e queimaduras de mãe-d’água.
 .
    Numa dessas indiadas farofentas, aqui pelo Cassino mesmo (numa das nossas viagens para os natais com a família), estava eu na água da praia – um diazinho até meio nublado – e eu me imaginava sendo a Ariel, a Pequena Sereia… me achava o máximo! (e era o ó do boró kkkk)
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     Não é que me aparece um menino nadando ali nas proximidades do meu “fundo do mar”? Um menino moreno, de cabelos compridos e o resto eu não sei porque sou péssima fisionomista. O tal menino foi direto:
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– Oi, qual o teu nome bonitinha?
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Eu, ser de sutileza infinita respondi:
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-Bonitinha é o rabo do cachorro! (minha mãe é contra palavrões e se ela descobrisse que falei eu acho que morria) Vai pastar seu maricas de cabelo comprido! (sim, maricas… porque eu li em algum livro)
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O menino, não satisfeito me perguntou:
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– Tu és daqui?
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Eu, ainda bem Deborinha mesmo:
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– Sou e não sou .
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O menino, com aquela cara de “liga pro hospício que essa aí tem que ser medicada”, muito educado:
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– Como alguém pode ser e não ser de algum lugar? Eu sou de Bagé, venho pro Cassino com os meus pais no verão.
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Eu, muito “expliquenta” que era, sempre perdendo a oportunidade de me calar…
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– Pois é, eu nasci em Rio Grande, não no Cassino e me mudei pra São Paulo quando eu tinha 5 anos porque meu pai foi trabalhar lá, daí a minha mãe deixou a faculdade, meu pai alugou um apartamento no décimo andar na Moóca e fomos morar no apartamento do Edifício Califórnia na Avenida Paes de Barros eu, ele, meu irmãozinho que na época era um bebê-nem-tão-bebê de um ano e minha mãe e mais a minha avó que não é bem minha avó mas é minha tia que criou minha mãe e eu chamo ela de vó porque ela cuida de mim que nem vó cuidaria e daí eu moro lá o ano inteiro e volto pra Rio Grande todos os natais venho de viagem de carro o dia inteiro na estrada e eu passo mal e vomito mas eu gosto daqui porque eu nasci aqui e como é verão eu venho pro Cassino com a minha família pra passear.
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O menino, cansado e quase dormindo me larga a ostra que geraria a minha primeira pérola mais surreal:
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– Tu já ficou com alguém?
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(cmofas///////) Muito certa da resposta, me enchi de razão!
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– Mas claro que sim, eu fico todos os dias, com o meu pai, a minha mãe, meu irmão, minha tia Size e mais quem vier… ficamos sempre lá em casa, somos muito unidos!
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(dããããããã)
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E o guri, muito paciente:
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– Mas tu sabe o que é ficar?
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– Claro que eu sei, é um verbo, seu abobado! Verbo que fala sobre a gente permanecer em algum lugar, oras.
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– Não, eu digo ficar, de dar beijo na boca e por aí vai…
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(ãhn????)
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– Ah, tu fala disso? Mas isso é namorar!
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– Não, por um dia só é só ficar, namorar é mais comprido.
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– Ah, então eu não fiquei, não fico e nem quero ficar com ninguém nunca na minha vida porque dar beijo na boca troca muitas bactérias e dá sapinho e herpes! E tu vai pra puta que pariu que eu não quero saber desses assuntos aqui comigo! E se tu disser pra minha mãe que te falei que é pra ir pra puta que pariu eu ainda te cago a pau e te afogo, seu cabeludo bixona!!!
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É, nem sempre o Aurélio me ajudou… :s

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