Depois de um inverno rigoroso, o sol sempre volta a brilhar. A primavera faz com que as pessoas saiam de sua hibernação e se tornem mais sociais… Seguido pelo verão, de agitação intensa, de corpos expostos e festas incansáveis, até que chegue o outono, levando as folhas que já ornamentaram os meses de festa à exaustão.

     O mesmo vale para o nosso emocional. O começo tímido do florescer depois da longa hibernação, o coração que desabrocha aos poucos e se abre em cores para um momento mais agregador. A primavera dos sentimentos, o começo de relacionamento que se pensa ser infinito. Mas, tal qual as flores, o coração humano é perecível, embora no auge da florescência não possamos perceber, tamanhos os encantos das cores e formas hipnóticas da flora e do emocional.

     O tempo é o melhor determinador do futuro. É quem irriga e quem destrói. É quem aduba ou desfaz o plantio. E no correr dos dias, com o calor aumentando, é que a efemeridade das coisas começa a se mostrar. É no verão emocional o momento de as máscaras caírem, e das flores mais vulneráveis sucumbirem debaixo do sol mais brilhante do ano. As ilusões e hipnoses já não existem mais, é o momento da realidade, ame-a ou odeie-a. É momento determinante para o que dura e o que acaba.

     O outono vem vindo e nem todo emocional tolera a queda das folhas. Ver o âmago do amor é como ver o esqueleto das árvores que começa a se expor. Não é para qualquer emocional despreparado… dói naqueles que idealizam o outro, dói naqueles que adoram a infinitude das coisas. A mudança é incômoda e é difícil entender que a morte é uma forma de renovação. Em que momento o coração pode se perder? Em que momento o laço tênue que floresceu se desprende qual folha seca que, ao menor dos ventos se entrega ao fim?

     Depois de tanta queda, de toda a varredura das folhas que caíram, de esvair o emocional em lágrimas, resta o frio que emerge de onde se pensou que o calor seria duradouro. É hora de recolher-se e procurar acalanto. É hora de repousar o emocional e passar pela convalescença. A hibernação do emocional não é diferente de nenhuma outra. É só no silêncio das horas que passam em meio ao cinza dos dias que um coração se recompõe. É a hora de juntar os pedaços e recolher as sementes para, num remendo do sentir, num plantio paciente, tentar florescer novamente.

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