Esta noite sonhei contigo, mas não foi um sonho qualquer. Sonhei contigo e não me vias, enquanto isso eu te observava.

     Sonhei contigo e amanheci mal. No instinto, te ligaria. Mas não existe saudade, não existe amor. Não existe nada além da barreira que te fiz construir.

    Sonhei contigo para lembrar de mim. Sonhei que era invisível e me doía te ver no estado em que te mostravas, perdido no labirinto de ti mesmo. Pensei, acordada, em te resgatar, numa caridade que tu não soubeste proceder quando tiveste tempo.

    Sonhei contigo e não era um sonho. Era um pesadelo que me fez suar. Sempre me fizeste suar, não é mesmo? Mas o mesmo banho que  alivia um mal dormir, é o banho que refaz o corpo.

    Sonhei teu pesadelo e acordei egoísta. Tomei meu café, me uni ao meu coração e fui ver o sol. A escuridão só pertence a quem a procura e se permite perder-se nela.

    Sonhei contigo e já não mais quero dormir.

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