Estou trancado em mim

Pensando em você

Sei que um dia

Eu vou enlouquecer

                                   (Jonathan Corrêa – Desespero)

     Quem encontra o fundo do poço, convalesce. E como qualquer ser com feridas profundas, requer repouso que acelere a cicatrização.

Acontece que tal repouso é perturbador, porque é no silêncio da convalescença afetiva que os fantasmas gritam nos mais altos decibéis.

Energeticamente falando, é útil. Atraímos o que emanamos, somos energia. Se emanamos a porta fechada, é ela que teremos. E a porta fechada é de importância vital quando se tem o afetivo escancarado tentando cicatrizar.

Apesar da perturbação do silêncio e das noites insones, a recuperação afetiva é momento de olhar para dentro, reviver rotas, se autoconhecer e se reescrever.

Parece simples. Parece fácil. Chorar, pensar e repousar. Mas a cruz pesa mais do que aparenta. É o desespero da ausência. O desejo de sumir. A vontade de ver o outro sangrando, mesmo que isso não cure as dores, ver a dor do outro torna o fardo mais leve.

Não existe nada como o cinema da convalescença para criar novas ilusões acerca do que não existe. Esqueça as borboletas no estômago, os finais felizes. O amor é vil, e qualquer tentativa é vã. O amor é um campo estéril, mesmo que seu coração já seja um punhado de esterco.

É preferível a cura imediata que repousa em um saltar de um penhasco sem segurança a apostar todas as poucas fichas disponíveis na loteria do estelionato afetivo.

Que a porta permaneça fechada,que a porta esteja selada – eis o mantra.

 

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