Eu já te quis de tantas formas que não podes imaginar. Eu te amei mais do que alguém ousou imaginar.

     Te peguei no colo, te abracei, te bati. Vivi mil vidas e mil mortes, chorando a cada adeus que nunca aconteceu.

     Te deixei crescer em mim e me nasceu um jardim que se estende até o horizonte. Mas, apesar do sol, é sempre inverno aqui e eu destôo da imagem colorida que se vê.

     A estrada das lembranças vívidas que um dia me pertenceram hoje é infinda… e não importa o quanto eu force meus olhos. Tudo é um borrão, não me vês mais, nem eu a ti.

     E embora me doa, me agarro aos diários como quem se agarra a uma tábua de salvação. Seguro teu cheiro, que evapora, entre os dedos.

     Tua voz me escapa dos ouvidos aos poucos e, independente do meu desespero, me vejo perdendo pouco a pouco meus patuás.

     Quando teus olhos sumiram de mim, perdi meu farol.

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