Os dias que se seguiram

Hoje a saudade foi…

Dia 16 – … das minhas roupas quando pareciam minhas. Meu corpo está mudando. Preciso reagir, não me sinto bem.

Dia 17 – …da tua risada com a piada de telefonista de motel na nossa primeira vez… agora tudo o que percebo é ressaca moral e autodestruição.

Dia 18 – … dos teus olhos de temor quando me vias “trabalhando” na corrente… agora minha amiga só vem pra mim. Pra me levantar, me reconfortar. Me questiono: em que momento eu me perdi de mim mesma e da minha força interior?

Dia 19 – … do teu abraço capaz de me manter aquecida… o inverno tomou conta de mim, o frio que sinto não se explica, e até ele me transporta pra ti… deve ser um espelho do teu coração de pedra, que nunca foi capaz de me amar de volta.

Dia 20 – … hoje senti falta da minha saúde.

Dia 21 – …

Dia 22 – … da minha ex-sogra, sempre tão amável e prestativa… uma mulher que me fez falta um abraço neste dia das mães.

Dia 23 – (Parece que as tuas reclamações sobre a minha alimentação tinham fundamento. Irônico, nunca comi nenhuma refeição preparada por ti).

Dia 24 – … da tua rotina que eu sabia de cor. Hoje seria mais uma noite de causas mortis e trocas de links idiotas de babacas comendo porcarias ou pagodes velhos… nem isso eu procuro mais.

Dia 25 – … da quarta-feira como esperança. Sempre a falsa ilusão de faltar pouco para o reencontro.

Dia 26 – …do teu futebol que te empolgava tanto… será que ainda ficas com aquela alegria absurda depois das caminhadas e partidas de futebol? Perdi meu artilheiro…

Dia 27 – … quase 30 dias. E essa reabilitação não surte efeito. A cada lado que olho uma lembrança me abraça. Nem a rebeldia e a raiva iniciais me restaram por socorro.

Dia 28 – …das noites/tardes de sábado… tenho me ocupado o quanto posso, mas parece que ainda prefiro tuas danças toscas, teu horror às cócegas, tuas costas nuas enquanto dormias de bruços ao meu lado. Fazem falta até mesmo tuas danças obscenas top secret quando eu só colocava a cabeça para dentro de casa e estavas na sala.

Dia 29 – … almoço de domingo… independente da cidade ou da casa, era a refeição que sempre fizemos juntos, mesmo no trabalho… por 29 domingos almoçamos lado a lado… hoje eu almoço essa dieta macabra sozinha, na minha cama, no meio desse silêncio que parece não acabar.

Dia 30 – … sinto falta do tempo que eu lamentava o começo da semana por saber que era quando começaria minha saudade. Agora o começo da semana é a anestesia que amansa essa saudade que começou e parece que nunca mais vai terminar.

(Primeira parte aqui)

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