Os primeiros 15 dias

Hoje a saudade foi…

Dia 1 – … da ilusão do amor que pensei ter existido.

Dia 2 – …do reencontro que não aconteceu depois da longa viagem.

Dia 3 – … da pessoa doce que eu tinha ao lado e se transformou em um qualquer libertino.

Dia 4 – … do cheiro daquele perfume que eu não gostava, mas tolerava porque a pessoa por trás dele me atraía.

Dia 5 – … do tempo em que eu dormia com facilidade, quando essa insônia ainda não havia me consumido por completo.

Dia 6 – … de quando o meu rosto e minha postura resplandeciam… agora sou uma desfiguração de mim mesma, escondida sob um rosto apático e costas prostradas. Em que momento me perdi?

Dia 7 – … de quando minha fome era espontânea. Sequei 8kg em uma semana, me parece anti-natural. Por que uma lacuna aberta parece abrir tantas outras?

Dia 8 – … da minha paz de espírito. Eu tenho destruído tanta coisa, deletado, riscado, rasgado, queimado… pudesse eu, até meu corpo seria incinerado. A gana de tirar as memórias é tamanha que meu instinto destrutivo se apoderou do resto que sobrou de mim.

Dia 9 – … do teu bom dia… os dias andam sendo difíceis e meus altos e baixos só me atrapalham. Será que um dia tu vais voltar?

Dia 10 – … de quando eu não mentia. Até quando eu vou mentir que o inchaço dos meus olhos é sinusite?

Dia 11 – …de mim mesma. O mesmo reencontro que eu tive com o meu eu antes de ti, foi o desencontro depois de ti. Hoje me resta um ser silencioso, recluso e inquieto. A apatia sou eu.

Dia 12 – … de quando, no nosso primeiro passeio pela tua cidade, seguraste forte a minha mão, no momento que percebi minha fobia a metros de nós. Hoje decidi me autoflagelar com um filme que eu sabia que querias ver comigo. Não serviu de nada além de mais tortura psicológica.

Dia 13 – …de quando eu dormia no meio da nossa conversa. Quase uma quinzena de abandono e eu ainda não consigo dormir sem ajuda química. Não sei dormir nessa espera por um retorno que nunca vai se dar.

Dia 14 – … da minha fé. Não me restaram oráculos, já fui a todos no encalço deste fim. Não posso aceitar que tudo tenha sido em vão. Eu não aceito ser tão burra e tão afetivamente estéril…

Dia 15 – … do tempo que voava na tua presença… quantos anos já se foram desde que me deixaste neste caos? O tempo parece ter parado desde que os dias se acinzentaram. E a cada vez que eu olho para dentro de mim, parece mais improvável que eu me reerga… Será que a nossa sintonia – que um dia foi tão afinada – não te transparece a minha dor?

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