Certa feita me foi dito que minha última decepção afetiva era uma lição que eu tinha a aprender. Revoltada, percebi que a tal lição já havia sido aprendida anos antes… Talvez fosse um lembrete agora, um lembrete vil que reforçava à base da dor uma lição que eu preferia esquecer… Ou poetizar…

Não bastasse um coração no peito
Precisava que fosse achado outro fora
Precisava iludir a razão
Necessitava flutuar no nada afetivo alheio

Não bastasse naufragar em mentiras,
Precisava me agarrar à boia de ilusões
Precisava de socorro de um coração morto
Necessitava ser salva pela falsidade

Não bastassem as portas fechadas
Necessitava odiar a mim mesma
Necessitava descobrir a incapacidade de ser amada
Tinha a urgência da desimportância, de ser nada

Não bastasse a mim, trair minha solidão companheira
Me foi necessário rastejar pelos vales da mentira
Então eu lembrei de quão estéril se pode ser

Foi ali que percebi…
Há os que somente são amados…
… E há os que nunca, jamais serão capazes
De fragilizar o iceberg que bate no peito de alguém.

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