Os ventos correram, os dias passaram, a paisagem mudou

e os ares se renovaram…
mas o que vem de dentro não muda, é perene.

eu vi um sorriso, que não era o teu

-bem podia –

e aquele brilho acordou o que dormia

 

lembrei teus olhos no fundo do breu

as estrelas como guia

e tua mão, que abraçava a minha

 

as minhas cores não mudaram

mas a ausência invisível de ti

agora é concreta e definitiva

 

meus versos, por dias secaram

em outra vida minha, eu morri

e meu corpo leva uma sobrevida

 

essa trincheira que se abriu

é uma lacuna maior do que posso

me agarro ao passado pra me consolar

 

gratos são meus olhos

aqueles que te trouxeram um dia

gratas minhas mãos

que te escreveram, incansáveis

grato meu peito frígido

que aberto e entregue, te acolheu

e grato meu coração

que partiu contigo naquele caixão.

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