Uma coisa que me adoece é gente pessimista. Não que eu não reclame, pois eu reclamo quando a coisa fica complicada, bem como qualquer mortal… mas o pessimista a que me refiro é aquele tipo de pessoa que quando a boca abre não solta UMA palavra feliz, um tom colorido, nada. Cenho franzido, boca enrugada e aquela clássica “cara de rabo” que faz pairar uma nuvem escura sobre quem quer que divida o ambiente com a pessoa. Acredite em energias ou não, com certeza quem me lê agora sabe a que me refiro… aquele tipo de pessoa que chega e estraga o dia de quem estiver por perto.

     Entendo que a vida não é fácil pra ninguém. Sei que muitos problemas pesam e podem fazer com que nos prostremos em várias ocasiões. Mas questiono: adianta fechar a cara, azedar a alma e não ver nada de positivo nos pequenos milagres do cotidiano? Além de não resolver o problema, torna ele mais pesado, justamente pela recorrência.

     Se eu pudesse dar um conselho, diria para essas pessoas abrirem os olhos. Sempre existe algo de positivo ao redor! É um chimarrão com pessoas que queremos bem, uma risada inesperada, um carinho, uma notícia inesperada, a chegada de uma nova estação… se há trevas, é porque existe luz, e no meio de qualquer dupla de forças existe uma terceira que intermedia essa relação: o nosso poder de escolha.

     Não vou lamentar o ônibus que perdi. É inevitável que eu me atrase para o compromisso… não vai adiantar eu me enervar, irritar e deixar isso acabar com o resto do meu dia. Será que não é o universo me mostrando lições? Respira e olha a natureza ao teu redor, aquela que o teu atraso constante não te deixa agradecer. Olha o céu na espera do próximo ônibus. Usa o teu atraso de forma positiva. Opta pelo positivo.

     O mesmo vale para cada problema. Já aprendi que quando adoeço, o meu corpo é quem está mandando eu tomar mais cuidado comigo mesma. As dores aparecem justamente nos pontos em que falho. Então qual a minha postura? Chorar e jogar meu fardo para dentro dos ouvidos dos demais? Não. Mudança de cuidados, atenção aos comportamentos falhos e agradecer que não foi nada de pior.

     Entenda: as pessoas não se importam com os teus problemas. Elas apenas fingem ouvir, enquanto estão pensando no que vai ter pra jantar. A vida – com raríssimas exceções – é solidão. O erguer-se ou desabar de vez deve partir de nós mesmos e de ninguém mais.

     Ultimamente tenho me queixado para mim mesma sobre o quanto me sinto exausta. E o quanto eu gostaria de aproveitar mais o tempo comigo mesma e com a minha casa. Então eu paro e percebo: os anos estão voando… e eu vou envelhecer. Se eu não trabalhar e realizar sonhos agora, quando vai ser? Então que esse cansaço seja, de certa forma, positivo para as minhas realizações, para que quando a idade chegar, se chegar, eu possa cuidar melhor de mim, da minha casa, dos meus livros por ler que se empilham ao redor de mim.

     Antes de ser aquele ser que traz uma nuvem pesada pra dentro dos ambientes, agradeça ao universo por ainda ter a voz pra reclamar, o ar pra respirar, e a força para ver as coisas negativas a cada vislumbre. Porque quem realmente está mal… ah! Este dificilmente conseguirá reclamar…

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