Não que as baladas sejam meu refúgio favorito, mas depois de beber umas e outras, eu acabava sempre indo parar em uma balada, fosse uma balada boa, fosse um bailão estranho. Festa estranha, gente esquisita… e uns quadrinhos surreais. Obviamente que vou condensar algumas criaturas em uma postagem só, ou escreveria um livro só dos meusflertes desgraçados nestas ocasiões.

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– O sedutor do banquinho –
     Deb no forró, som alto, luz piscando, o álcool já girando no cérebro eis que surge ele… um bofe gatinho, bem arrumado, sorriso bonito. OPA! E sorrindo pra mim! Quase acordei do semi-coma alcoólico à mera visão dele. E ele me fazia sinais que, à altura que já era, pra mim aquilo parecia klingon ou qualquer dança bizarra que não fazia sentido. Ele me chamava, e eu não entendia.
     Ignorei o gatinho. Ignorei completamente, tudo que eu mais queria naquela hora era ir pra cama e dormir. Estava cansada, tonta e o sapato estava me maltratando. E a carteira já estava zerada, o táxi seria fiado. Sem onde me sentar, fui para a rua para sentar em um banco.
     Mal consegui me sentar, notei que o gatinho que fazia mímica em klingon vinha logo ali e me chamando de “hey, hey”. Parou na minha frente, se apresentou. Aperto de mão, três beijinhos – o habitual – e se propôs a me seduzir. Disse que me seduziria ali mesmo.
     Eu, achando aquilo tudo muito estranho, somente ri como uma histérica: como esse cara vai me seduzir a essa hora da madrugada, num banquinho? Fora do planeta, não me conhece, oh coitado.
     Então ele começou o processo de sedução. Passou a mão no meu cabelo (coisa que ODEIO quando vinda de desconhecidos), abriu as pernas (SOCORRO!)…  apontou numa diagonal para o chão à direita dele e disse: “Eu quero tchuuuuu…”
     Antes do “Eu quero tcháááá” eu já estava disparando festa a dentro porque eu não conseguiria suportar tanta sedução absurda de um taurino tão peculiar. Deixei ele dançando pro banco.
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– O chefão da Fan –
     Numa balada esquisita, num bairro distante, sabendo que voltaria pra casa só ao primeiro ônibus, Deb bebia e ria com os amigos enquanto um cara circulava repetidamente a roda de amigos dela, piscou o olho, deu um sorrisinho de lado. Deb, a difícil, fingiu não ver.
     E o cara continuava na volta… sem sorte. Era uma beleza de fato muito peculiar, tão peculiar que talvez a fidelidade acontecesse mesmo ali. Porque a criatura era “exótica” demais pra que as mulheres pensassem em disputá-lo.
     Bastou pintar o momento em que os meus companheiros de balada “arranjaram” e o cara partiu pra sedução. Eu bebia meu absinto como se não houvesse amanhã porque – socorro – esse cara não podia vir falar comigo.
     E veio. Com uma chave na mão, sacudia o chaveiro pra mim no ritmo de “rainha do funk, olhar de diamante…”. E eu me questionava que diabos esse cara achava que estava fazendo???
     Ele, muito objetivo: “Sim ou claro?”
     “Claro… que não!”
     “Mas eu tenho uma Fan.”
     “Então sobe nela e vaza.”
     Dei as minhas costas e deixei o cara pensando, ele ainda me gritou que eu não sabia o que estava perdendo… graças aos céus que eu não sabia. Agora motos compram mulheres, ora veja você.
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– O cavalão –
     Loucura underground, galera bicho-grilo reunida, noite de verão, calor, algum vento, muitos mosquitos, cheirinho de eucalipto e praia, acabei ficando com um cara totalmente aleatório. Quem nunca fez bobagem aos 19 que jogue a primeira pedra.
     Beijo vai, beijo vem, a respiração começa a ficar ofegante, o corpo começa a responder… e o deus nos acuda se estabelece. Ele me queria além do beijinho, já eu nem tanto. Ainda era moça casta e não ia ser com ele que a carreira ia começar.
     Lá pelas cansadas, quando o cara já não se aguentava mais, me convidou, muito educado, pra irmos a um lugar mais “íntimo”. Questionei onde iríamos… ao que ele me respondeu, cheio de amor pra dar: “Vamo ali nas palha das égua que eu não aguento mais de vontade”.
     Levantei do banco alto em que eu estava sentada, desprendi meu abraço, cruzei minha bolsa no corpo, paguei a conta, nem me despedi dele e fui embora. Foi romântico demais pra mim. Um amor vintage.
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