Salvas as exceções, o Pobre Paupérrimo é aquele cara que acha tudo caro demais, que o trabalho pesa demais, que o salário é baixo demais… mas que, em compensação, nem o restaurante mais caro e renomado da cidade tem uma comida que preste. Costumam ser pessoas cujo humor ninguém aguenta porque nunca proferem uma palavra positiva acerca de nada.

     Dito isto, vamos analisar a seguinte situação:
João ganha o salário do comércio, com o adicional das comissões. Mora em casa alugada, compartilhada com mais dois colegas que ganham valores similares. O mês é longo demais pro montante dos 3, mas eles se viram como dá. Apertam aqui e ali e a comida, as necessidades essenciais e a balada semanal nunca faltam no roteiro dos meses que, por vezes, parecem durar o dobro. Nenhum deles tem condução própria e levar as gatinhas no motel requer uma manobra financeira brusca.
João é um cara sem luxo, que curte ouvir música, dar uma volta com os parceiros e se divertir aos fins de semana. Assiste a filmes com muita frequência e conta com uma coleção cinematográfica com mais de 500 títulos, cada um deles comprado no mercado informal com o dinheiro suado que ele tenta fazer render. Se perguntado, sempre afirma ser feliz e satisfeito com a vida que leva. Dinheiro curto, mas o coração é grande. Gosta de ajudar os amigos nas dificuldades e não vê problema em perder a balada pra desembolsar a grana que pode reerguer um amigo.

Por outro lado, o gerente do João é o cara que entra na categoria do Pobre Paupérrimo. Não sai aos fins de semana pra levar a mulher a um restaurante ou a uma danceteria porque custa muito caro, ele não tem condições… sabe como é, ele comprou um carro zero e precisa conter despesas. O gerente também é o cara que nunca se satisfaz com coisa alguma, tudo está sempre ruim e os termos mais próximos de um elogio que ele já utilizou foram: “dava de melhorar”. Os filhos estudam na escola pública e reaproveitam as canetas de um ano para o outro porque além de uma atitude sustentável, economizam dinheiro pro papai que trabalha numa empresa que remunera mal.
Esse gerente também gosta de ofertas nas lojas… são perfeitas para comprar presentes para a esposa e roupas para os filhos. O salário apertadíssimo não permite grifes, imagine só. O esporte do “chefe” de João é justamente “chorar as pitangas”. De tanto chorar, a pitangueira já secou até a raiz.

O Pobre Paupérrimo costuma ser aquele cara que ganha melhor do que quem ouve ele reclamar dos infortúnios financeiros. É bem conhecido por ser “mão de vaca” e por não ajudar ninguém. Adora se vangloriar do esforço dispendido em prol de um emprego que não o remunera como deveria e se ofende quando alguém que lhe parece pobre adquire algo que ele não adquiriu, só porque pensa que a pessoa será inadimplente e por querer ter o que foi comprado pelo outro.
Não se comova com esse chato. O prazer dele é o coitadismo, ele se vitimiza mas, no fundo, leva uma vida de rei por debaixo da cortina. É o tipo de ser humano que só vai engolir o coitadismo depois de quase encarar a morte OU se for persuadido a desenvolver algum trabalho humanitário. O que raramente acontece. Talvez o maior problema desse chato sem galochas (porque o dinheiro não deu) seja justamente a avareza, visto que dificilmente ganha o amor de alguém.
O pobre paupérrimo é um chato com quem é difícil de conviver porque é obcecado em ser coitado e em achar que tudo na vida é ruim. E geralmente é ele o puxador de tapete no ambiente de trabalho. Como se alguém ficar sem grana fosse enriquecê-lo.
Na realidade, pode-se concluir que o Pobre Paupérrimo sai do conceito de chato e se apresenta uma personalidade a ser desprezada, porque polui a aura do ambiente em que se insere, faz os demais parecerem babacas e, o que é pior que sua chatice, menospreza o esforço alheio. Distância desse chato é fundamental.

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