Não bastasse o azar de nascer com um coração que calcula e racionaliza ao invés de sentir, nasci com um coração que só atrai o que não vale nada. Dentre tantos seres humanos disponíveis, sempre caio na mão daqueles que o mundo renegou. Não é exagero… é a aplicação prática da máxima “quando a esmola é demais, o santo desconfia”. No caso, a santa. E nem desconfio mais, que fique bem claro, eu tenho é certeza do meu fracasso afetivo.
     Minha seletividade vem com um bônus: um dedo podre apavorante. Nada pode ser mais assustador do que o meu dom para a escolha minuciosa de um parceiro idealizado… às avessas. Um eterno escolher, a busca desesperada pela perfeição até o encontro dos sonhos e a descoberta precipitada: este homem é a escória!!!
     Sim, meus caros. Meu dom compreende achar somente o que é incompatível e/ou imoral. De cafas psicopatas a gays enrustidos, de pseudo intelectuais a aspergers e de literatos incompreensivos a fugitivos do CAPES, passei por todos, em vários níveis, de namorados a meros pretendentes. Em nenhum deles apareceu o que meu afetivo buscava.
     E dessas desventuras pavorosas, vale o esforço de contar umas historietas em tom de anedota para que o riso nasça da desgraceira. É o que resta: rir do passado infeliz.
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 *A série Venus Virgo irá ao ar uma vez por semana ou quando o tempo permitir. Para acompanhar, só clicar em “categorias” logo ali do lado.
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