Abriu a porta, viu o nada. O peso dos sonhos que evanesciam faziam com que os olhos apenas ficassem inertes. Mas a porta estava aberta, e isso era muito.
Ninguém bateu, mas a vontade de ter a porta enfim aberta apeteceu depois da noite longa. Poderia haver ao menos a possibilidade de se desvencilhar dos pesadelos. O risco era válido quando os monstros internos se equivalem com os monstros externos.
Permitir-se respirar depois de um longo retiro é deixar-se afogar. A inundação é inevitável a quem abre as portas. É providencial que se saiba nadar, mas como flutua aquele que nunca respirou?
Abriu a porta, viu o tudo, viu o mar bravio. Viu-se afogar no olho da mente. Viu-se perdendo-se de si. Viu o caos da liberdade e fechou os olhos, a alma se contorcia no incerto.
Deitou-se novamente, mãos sobre o colo, quase morte. E a porta, esta foi deixada aberta…

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