Todos temos peculiaridades, esta é uma regra sem exceção. Outro fato quase inegável é que a maioria de nós debocha da própria peculiaridade. Um cabelo desobediente, um nariz torto, um estrabismo, aquela canelinha fina… enfim, aquela característica mais pessoal e mais marcante de cada um – e aquela, justamente que dá mais dores de cabeça no convívio social.

minha peculiaridade em comum com a Gloria (Madagascar-Dreamworks), a sensualidade exagerada a ponto da perturbação
minha peculiaridade em comum com a Gloria (Madagascar-Dreamworks), a sensualidade exagerada a ponto da perturbação

A foto acima gerou o caos silencioso no meu finado Facebook profissional. Digo silencioso por haver sido duramente criticada pessoalmente (e não nos comentários públicos) por causa da legenda que coloquei na foto na época (“Achei minha irmã gêmea no Beto Carrero”).

Claro que os mais chegados entenderam o deboche e levaram na boa. Os mais agressivos tentaram me ofender enquanto os “pitaqueiros” de plantão vieram me ensinar que não posso me depreciar/avacalhar assim.

Peraí então… eu comparar a minha imagem com a imagem de uma personagem que muitos acham “fofa” é auto depreciação? Ai gente, peguem leve, né? Tenho plena consciência da minha forma física. Sou uma obesa mórbida sem crises (apesar das afrontas sociais diárias) e não acho feio me comparar a outros modelos plus size, como a personagem de uma animação.

Pergunta= supondo que eu fosse magra e loira e fosse à Disney, lá eu tiro uma foto com a Cinderela e faço a mesma legenda para a foto nas redes sociais. Isso é depreciativo?

Aposto 1 real que a resposta foi “não”. Isto me leva a crer que eu me intitular “gorda” é depreciativo, porque “magra” ainda não é visto como termo ofensivo. Eu poderia discorrer por horas acerca dos adjetivos mal interpretados, mas não é o meu foco e o meu recado hoje é reto.

Aprendi nos últimos anos que as pessoas que mais se preocupam com a forma física dos outros são justamente as que se sentem mais agredidas pelo que enxergam em seus espelhos. Não cabe a mim julgar as variantes do amor-próprio.

Mas cabe a mim pedir que haja respeito nos julgamentos. Cada um sabe o que quer para si e o quão limitado ou não o seu amor-próprio é. Se aquela menina esquálida não quer engordar, escolha dela. Se o “cara imenso” não quer “fechar a boca”, assim seja. Chega de querer determinar a vida dos outros pela nossa.

Se há algo de irritante em ser o obeso da turma, são os papos de dieta e a crítica feroz que nasce do discurso dos aspirantes a magros. A fala deles deixa implícito todo o pensamento agressivo deles contra as pessoas gordas. Não é incomum ouvir-se termos como “monstr@”, “horrível” ou “lixo”. E a coisa só piora ao descrever as partes do corpo e o tratado pró-burca (sim, gordos não podem se expor).

O que eu quero com isso? Fazer com que se repense o tipo de babaquice que falamos e pensamos. Claro que abordei mais a MINHA peculiaridade, e muito superficialmente, o problema é bem maior, mas qualquer outra peculiaridade poderia se encaixar por aqui, o anormal é monstruoso na cabeça de gente ignorante. Todos somos reprimidos externamente (e eternamente) por algo arraigado a nós e uma mudança é sempre relacionada a um fundo sexual ou a um problema de saúde. Não devemos abrir mão do que nos faz felizes. Eu esperava que o mundo fosse satisfeito consigo como eu sou, já que gente feliz não enche o saco.

Abraça o teu ser, com todas as imperfeições que te fazem únic@ e não deixa que te convençam de coisas ruins. Pensa no quanto a insatisfação consigo mesmo e a falta de amor-próprio devem ser tristes. Ninguém determinou o feio e o belo, sequer o certo e o errado. Então não te permite aceitar o que vai te fazer mal. Podemos ser o que/quem quisermos ser, mas sem nos amarmos primeiro, qualquer caminho será sem destino.

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