la vie d'adele

Baseado na história em quadrinhos de Julie Maroh (Le bleu est une couleur chaude) e dirigido por Abdellatif Kechiche, Azul é a Cor Mais Quente tornou-se um filme muito esperado pela audiência brasileira dita “cult”.

Tudo o que posso declarar é que após 3 horas de filme é impossível que eu tenha saído ilesa. É o tipo do filme que move até mesmo os corações de pedra. Não que fale de um assunto novo, não é isso que quero dizer, visto que é um assunto que já se tornou banal em meio a uma sociedade PAN sexual. Mas nunca é demais ver a situação estando na pele de quem precisa se encontrar.

Adèle, a protagonista, é uma estudante de 15 anos que tinha certeza a respeito de sua sexualidade, até que encontra uma moça mais velha que ela, de cabelos azuis, e vê suas certezas estremecidas. Não vou contar muito mais que isso, quem quiser saber mais, que assista. Basta que se diga que Adèle vai cruzar aquela via-crucis já conhecida. Bullying, o medo da reprovação dos pais (a cena referente a isso foi cortada do filme), a troca de universo em si. As crises são bem expostas, mas Adèle figura como uma personagem decidida em seus desejos.

Há de se dizer que o filme tem sim suas falhas. Acho lindo o discurso dos mais apaixonados, dizendo que o diretor fez um trabalho maravilhoso em cortar o script e deixar as atrizes flutuando sobre as linhas mestras da história… MASSS… ele tem suas falhas graves. E uma delas é o excesso.

Kechiche abusou do vulgar nas cenas de sexo, criou cenas sexuais extremamente longas, dignas de um pornô à moda redtube. Vulgarizou, banalizou o amor que ele mesmo construiu ao longo do filme. Não adianta o cara construir uma trajetória linda (baseada na HQ) e na hora de apresentar o passional, mostrar uma chinelagem daquelas. Ele queria naturalizar o amor homossexual??? Acho que não, porque o que ele faz é aumentar o asco dos homofóbicos, ao invés de incitar uma sensibilização.

Outra coisa que notei ser muito repetitiva foi aquela gente francesa comendo de boca aberta e falando de boca cheia. Haja estômago, viu? Depois o brasileiro é que é porco.

No mais, achei a atuação das protagonistas perfeita. São naturais, mexem com o emocional do expectador. É o tipo de filme que te carrega nos altos e baixos dele. E que mostra que a vida de Adèle vai além da paixão tórrida, é uma vida como qualquer outra, e é isso o que mexe mais ainda com o emocional, perceber que vidas comuns como as nossas são arte. A vida sozinha é arte e nós não percebemos.

Azul é uma cor fria, isso é senso comum. Porém, em La vie d’Adèle o azul demonstra todo o calor de uma vida, das paixões, dos sonhos de um ser humano comum. É um filme que, apesar de seus trechos vulgares, acorda sentimentalismos mortos e mostra claramente que a vida é do tom que se der a ela. E mais: o tempero desse tom é responsabilidade nossa.

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