Atualmente deletar o facebook é sinônimo de suicídio social.
Facebook, sua vida.

Num tempo em que tudo é “feice“, que a badalação, o sofrimento, a ostentação e os dramas pessoais se dão numa rede social, eu preferi o anonimato.

Criei minha conta no Facebook antes de virar modinha, n0s tempos que eu era vista por louca em gostar de uma rede social tão sem graça e tão deserta. O Orkut era a badalação, e eu já não publicava mais nada por lá, nem scraps eu respondia. Gostava mesmo era dos grupos, que depois de uns anos de baixas decidiram migrar pro feicy quando a febre (isso em meados de 2011/2012) pegou e não largou mais.

Deletei meu perfil por motivos simples: privacidade e paz de espírito. A orkutização facebookiana tomou proporções incalculáveis, e atualmente ver uma página como era o “Pérolas do Orkut” é fácil, basta dar uma olhada rápida na timeline. TUDO lá é “recalque”, indiretas, piadas repetidas à exaustão e ostentação de vidas irreais. Ou pensas que aquela amiguinha linda com o drink na mão passa 24 horas com reboco na cara e bebendo?

Cansei das perguntas invasivas, cansei das indiretas sem destinatário, cansei dos gatinhos fofos avisando que “oba, é sexta-feira”. Cansei também do desespero de avisarem que é segunda-feira e das reclamações de frio e calor. Ah, e enchi o saco de ver prato de comida também, afinal, acho que todo o ser humano faz pelo menos uma refeição ao dia, mesmo que seja biscoito de areia e farinha nos confins da África.

Entendo que eu nunca tenha sido um modelo de pessoa. Mas eu sempre andei na contramão e agora não haveria de ser diferente. Existem coisas que se tornam a gota d’água e pra mim as gotas d’água foram muitas. Quanta gente que eu considerava altamente intelectualizada que se mostrou para mim um poço de ignorância no facebook? E quantos eu jurei que seriam pessoas maravilhosas pelo que conheci em pessoa física e me apavorei ao ver a máscara cair via Facebook?

Optei por continuar com meu telefone celular, que não mudou e que continua não tocando. Optei pelas pessoas de carne e osso que amo e que me amam de volta. Optei por ter mais tempo para as atividades que gosto e que deixava de lado nas horas infinitas que eu consumia procurando algo que prestasse numa rede social que só é bem utilizada em poucos casos, como os protetores animais e páginas educativas.

Sinto muita saudade sabe do quê? Dos joguinhos babacas em flash que eu curtia jogar por lá. E de alguns grupos que eu participava no tangente à troca de conhecimentos (os quais eu não vou mencionar aqui, isto não é o facebook).

Acho que deletei meu perfil em meados do fim de outubro, começo de novembro. E até agora não me bateu arrependimento, mesmo quando cruzo por algum colega na rua que me pergunta sobre o meu facebook. Também vi reações furiosas de pessoas que pensaram que eu teria bloqueado-as… aquele povo que acha que tudo é indireta. Sabe aquela filosofia facebookiana repetida pelas meninas da turma do “recalque”? Quem não procura é porque não sente falta. Sim, isso é real.

Não mudei a pessoa que sou por haver deletado meu perfil. Nem estou com pensamentos suicidas ou algo similar. Não estou me drogando e nem me candidatando a uma vaga no hospital psiquiátrico. Relaxem, eu só deletei o facebook, uma rede social nascida depois dos meus 20.

Sou do tempo que batíamos na casa do amigo pra tomar um mate, que mandávamos um sms ou ligávamos convidando pra uma cerveja no bar. Sinceramente, essa virtualização toda está fazendo com que as nossas relações sociais definhem. Muito me admira que as pessoas ainda procriem, porque num período tenso como o nosso, em que uma rede social fomenta mais ódio do que amor, é admirável que as pessoas ainda não tenham começado a grunhir enquanto ficam de olhos grudados no celular (também conectado ao feisssss).

Quem me conhece, sabe onde eu moro, se não sabe, sabe ao menos o telefone, se não sabe o telefone, sabe achar o caminho pra me encontrar… então, que fique claro, minhas portas estão abertas! (Claro, como sempre eu fui, visitas agendadas). Só aparecer, ligar, combinar alguma coisa. Eu sou quem sempre fui, vocês é que mudaram demais…

E pra você, que pensou que teria alguma indireta neste texto, lamento. Eu não deletei meu perfil pensando em ninguém além de mim mesma. 

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