Fonte: Google Images. Alterado sem permissão.
Fonte: Google Images. Alterado sem permissão.

Chega um tempo em que não conseguimos mais caber dentro de nós mesmos. Ou então, somos tão soterrados pela nossa “massa corrida” externa que precisamos virar lagartas, para abrirmos nossas asas aprisionadas num espaço tão reduzido.

Talvez os suicidas não tenham dado conta da lagarta que foram, ou não acharam suas asas perdidas dentro do labirinto que foi eles serem quem eram. Ou talvez fossem além… ou aquém. Talvez busanos, não criaram asas nem com esforço.

Penso que o barulho externo que tanto nos incomoda seja aquela criança cutucando ansiosa a pupa… mal sabendo que pode matar o que será uma cor a mais no mundo cinzento da rotina.

E se o abrir de asas for um desfraldar bandeiras? Erguer brados inaudíveis para si mesmo é uma forma de evolução. Uma evolução solitária, como a solidão das borboletas.

Pensaria um humano mais sensível: “quão solitárias, as pobres borboletas”. Pobre humano incapaz de ver a capacidade egoísta de enxergar e se alimentar do belo que só as borboletas possuem.

Somos espelhos delas.

Depois de tanto insulto e tanto desdém, o que nos resta é a reconstrução da nossa beleza interna e externa, a nossa munição intelectual. E a perturbação da visão daqueles que só se realizam ao deter a beleza em um alfinete, para alimentar os olhos com a visão que não conseguem ter de si mesmos.

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