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Qualquer arte seduz os sentidos. Pois sim, seduz… mas alguém pensa no artista por trás do trabalho artístico? Vou além: O que pode ser considerado arte???

Independente do conceito de arte de cada um, a arte tem um CUSTO ao artista. Tintas, linhas, instrumentos musicais, estúdios, ateliers… tudo custa dinheiro. Por isso a arte, quando vendida, ganha o valor que o artista lhe dá.

Se a arte não é vendida, é por OPÇÃO do artista, que faz o que bem quer com seu trabalho. É só observar a blogosfera. O pessoal desenvolve sua arte – crítica ou poética – DE GRAÇA, para o prazer do público interneteiro que dispõe desse trabalho quando bem quer, na maioria das vezes nem linkando.

Agora, considerando-se uma mostra cultural, um evento (com renome ou não), a arte precisa ser remunerada, SIM.

Por que todo esse tre-le-lê? Pelo simples fato de estar acontecendo um problema na esfera artística riograndina. Não bastasse a constante desvalorização dos músicos riograndinos, agora a organização da FEMAR quer músicos tocando com AJUDA DE CUSTO. Uma ajuda de custo de R$250,00!!! Isso não paga nem as horas de estúdio dos músicos locais.

É impossível aceitar uma produção artística que paga 350.000 reais para uma Paula Fernandes (com o retorno do público) e não paga uma quantia decente a um músico local. Entendo perfeitamente que a entrada tem um custo relativamente baixo para a maioria da população, mas uma festa que arrecada locações de stands, entradas, ingressos para shows de nível nacional, estacionamento construído em uma via que é fechada especialmente para isso (mais os auxílios governamentais) TEM SIM CONDIÇÕES de repassar um valor cabível aos músicos locais. Eles não investem em estrutura mesmo… (que o digam os cadeirantes e deficientes visuais).

Duvido muito que qualquer dos músicos de Rio Grande peça um valor exorbitante para se apresentar num daqueles palcos cacarecos que as feirinhas riograndinas organizam para recebê-los. Portanto, não há motivos para que não sejam pagos pela sua arte.

A desculpinha de receber qualquer talento local para mostrar seu trabalho não colou. Nossos talentos reconhecem seu valor (ou a maioria, porque sempre vai ter um pau no cu pra aceitar a ajudinha de custo por um motivo “legítimo”) e dessa vez decidiram peitar a organização da feirinha de sucupira. Ao que tudo indica, haverá um boicote massivo.

O que me incomoda é o seguinte: como isto chegou a este ponto??? Há que se considerar que a permissividade e a passividade dos músicos daqui não é nova. Isso ocasionou o problema. Está mesmo na hora da reação, e que bom que veio em bom tempo.

Obviamente que as ironias não param por aí. A Festa do Mar está completamente emudecida em um período em que o marketing já era para ter começado. Ok, estamos em Sucupira, vamos pensar em um evento por vez, precisamos agora focar em lotar o sambódromo improvisado e a Avenida Rio Grande para o grandiosíssimo carnaval citadino. Mas e a Festa do Mar? Nem as atrações estão sendo divulgadas… e a culpa sempre é atirada na administração municipal, que não tem nada a ver com o bafo. Cadê o responsável pela festa, que é o mesmo de milhares de anos?

Venho, por meio dessa postagem, encher de minhocas a cabeça das pessoas que me acompanham. Boicotemos a FEMAR deste ano, é merecido, considerando ser uma feira que não remunera adequadamente os artistas locais. Esta campanha está sendo amplamente difundida nas redes sociais, e merece ser difundida além, pela mídia alternativa que a cidade dispõe.  A partir disto, libero o espaço do Debora King Website para que, quem queira colocar sua voz por aqui, faça uso livre no tangente à Festa do Mar e seu boicote à arte.

“Ela” boicota a arte, nós boicotamos “ela”.

Maiores detalhes a respeito dos ocorridos e da reunião de músicos com o Conselho, sugiro o Gotas de Ácido, onde o Bozzetti esmiúça os detalhes da reunião e de contatos com a organização da feira. Além do mais, o blog dispõe dos links dos demais envolvidos na campanha de boicote.

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