Me diz como eu ato as asas que eu tento abrir quando as tuas já alçam voo. Me ensina a trilhar um caminho novo quando as minhas rotas se tornam rotas e tortas porque já não sei mais por onde voar quando não tenho o teu abrigo que me fecha e cantarola até que eu durma

Deverias ter percebido que fazer de mim pássaro me aprisionaria numa gaiola imaginária que ninguém vê, mas também ninguém entra.

Me explica teus motivos pra tornar alados outros seres enquanto as minhas asas ainda não tem coragem o suficiente pra se expandirem. Eu sou um Ícaro com ares de Prometeu…acorrentada ao nada que se ergue em direção a um horizonte que eu não me vejo alcançar.

No azul do céu que me pertenceria eu vejo os teus olhos que me afogam numa nuvem de tudo o que eu sonhei e que agora evanesce… e as minhas mãos são insuficientes pra remontar a nuvem que eu pensei ser palpável.

Voa, mas me deixa uma nuvem aqui. O sol lá fora é tão perturbador quanto o teu voo que me abandona e vai me deixar aqui, de asas erguidas e sem coragem pro salto que há de ser ou minha salvação ou minha danação.

…….danação é ser alado.

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