A minha solidão é um álbum cheio fechado. Sou filatelista e cada selo que guardo é uma mágoa presa à minha solidão a custo de lágrimas vertidas a cada raridade encontrada.

A minha solidão é uma música cantada à exaustão e a rouquidão que lhe sobra é o preço de tanta perturbação às escalas sofríveis a que me proponho.

A minha solidão é o silêncio que mascara horas de sono, ruídos e falas que, unidos, não ressoam um bem-me-quer sequer.

A minha solidão é a escuridão que descortina horrores ao amanhecer, horrores que escondi como poeira por debaixo das horas da mansidão que eu imito tão bem.

A minha solidão é o teu sufocamento estrangulado por olhos que te miram incansáveis por detrás de uma teia de palavras que teci para injetar em ti a dor da tua impotência.

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