Conheço alguns dezenoves, dos incontáveis que o mundo criou. Dezenoves…de julho.
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Não me apego a datas, mas hoje é dia de ligar pra mãe e agradecer toda a força desumana feita naquele frio de julho depois de toda uma tarde de  ossos se movendo a custo de dor e ansiedade.
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Odeio o dezenove de julho, acho que podia ser riscado do calendário, mas conheço uns dezenoves bem diferentes de mim…
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Pensando em personalidades, somos similares…os dezenoves costumam ter uma inquietação perturbadora, um vazio que nada preenche. Então se metem com bateria, violão, esporte, poesia, flauta, desenho, fotografia, teatro, faculdades interminadas, croché, coral, dança e tudo que lhes caia nas mãos. É uma falta urgente, uma necessidade desesperada que nunca cessa. Sorte serem auto didatas e teimosos. Se propõem e executam, ao ritmo deles, doa a quem doer.
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Os dezenoves são duros na queda. O mundo desaba sobre eles e lá estão os dezenoves…firmes como rochas buscando soluções. São criaturas que desconhecem a força interior e a inteligência que têm. E, no meio do turbilhão, se doem escondidos pra que nem eles mesmos se vejam quando a dor escorre pelo  rosto. Acostume-se, os  dezenoves dificilmente se abrem. São ostras fechadas.
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TODO o dezenove  é  um ser de paixões. Paixões no sentido literal.  Tudo que um dezenove sente é muito intenso, seja amor, ódio, dor de barriga. E sente demais, os dezenoves são seres de sensações. Já tiveram amores de todas as formas, amores amados demais e que se quebraram…então, enquanto uns dezenoves desistiram do amor por não aguentarem sentir o fim, outros vão nisso até o fim porque a sina do dezenove é ser à flor da pele: É a música que ouvi pela  primeira vez e ficarei ouvindo ininterruptamente na função repeat por seis meses porque eu AMEI, o livro que eu leio e releio a cada novo ano e relato com olhos brilhantes e sonhadores o porquê de ele haver me estremecido de tal forma, o filme, a peça, o conto, o poema do Poe já sabido de cor, o curso universitário………
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Poderia falar da simpatia dos dezenoves, dos abraços dos dezenoves, do carinho imenso, gosto por animais, afetividade, doçura (meio azeda pra quem não compreende os dezenoves), as variações insanas de humor, o poder de fazer sorrir e rir com meia dúzia de palavras. Poderia falar dos olhos dos dezenoves, olhos que falam sozinhos. Poderia comentar a beleza deles, as manias e compulsões, poderia comentar tudo. Mas não quero.
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Eu sou um dezenove azedo. E todo o dezenove de julho eu afundo no caos. Mas nem todo o dezenove é assim. Fica minha lembrança registrada aqui para os meus (realmente) amados dezenoves:
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Élie, meu primeiro dezenove, amiga que os anos não me tiram.
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Renan, meu segundo dezenove, platonismo mais bonito que já experimentei.
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Cadu, meu mais recente dezenove, que vem me ensinando que tem algo que brilha dentro de mim, não é tudo escuridão.
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Carpe diem, dezenoves.

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