E eu persisto numa futura dor vendo teu abraço se afastar

Te vendo atar os braços a outro corpo

E os sonhos que eu sonhei passaram por transfusão

Transmissão aleatória a um passado que não era eu.

.

E eu continuo tentando contra o passado

Me abrindo inteira pra receber uma dor certeira

a certeza é o teu brilhar em outros amanheceres

Quando pra mim tudo virou crepúsculo

.

Decidi que não quero mais tentar quando o inevitável se abriu aqui

Mas me diz uma vez só que esse não é o fim

Que não é agora que eu vou ver o chão se abrir mais uma vez

Eu não quero mais cair desse penhasco onde eu sempre me prendo

.

Eu vou procurar socorro no abraço que não se abre

Me exauri de tanto cair no mesmo fundo

Essa dor imensa que me rasga completa não compensa

A chaga que abriste sem uma palavra.

 

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