Hoje conversando com uma colega sobre coisas completamente aleatórias o papo foi mudando tanto que acabou se convertendo em algo grave, fundo e, de certa forma… tocante.

As culpas que levamos na bagagem por muito tempo, se não para sempre. Aquelas que nada apaga ou compensa, as culpas que não se tornam mais leves e que o tempo faz questão absoluta de tornar mais pesadas ainda.

Penso que qualquer ser humano com o mínimo de bom senso e uma pontinha de auto-avaliação tem suas culpas debaixo dos olhos, sob vigilância,  sejam elas veladas ou escancaradas.

Qual o conceito de culpa? Por que sentimos isso? Será que nos culpamos direito? Existe jeito certo e errado para nos culparmos?

Pensamos… logo nos culpamos.

O fato é que certas coisas são inevitáveis e a vida opta por nossos caminhos em ocasiões em que ninguém além de nós deveria optar. É o tal do ka. O que quero dizer é que, por vezes, a vida não nos deixa opções… e aí resta a nós a atitude corajosa perante os percalços impostos ou a covardia de fugir. Por vezes, ainda, nem coragem nem covardia nos sobram: sobra o conviver com a tempestade. E é aí que a culpa acha brecha para se instalar.

Essa menina de quem falei leva a culpa dela como quem leva uma bola de ferro presa ao tornozelo e todos os dias a vida relembra ela. E ela vive com isso. É uma pessoa de personalidade forte, séria e decidida; o mundo não pára ela a menos que ela o permita.

Fico pensando nas minhas culpas nessa hora e vejo que elas são nada. Mas são minhas e não há dia que amanheça em que eu não perceba meu grilhão ali. Culpar aos outros não me bastou, eu só não sabia que as minhas culpas tinham dono…

… e era eu mesma

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