Um Dia foi mais um empréstimo de alunos. Como já é habitual, na maioria das vezes os livros não são tão bons assim… mas eu sempre jogo limpo com os meus “emprestadores de livros”. Daí que nesses empresta-empresta, me veio Um Dia, de uma aluna que já me emprestou vários outros livros antes. No último empréstimo não tínhamos sido felizes, o livro era um romance mimimi da pior espécie, e ela achou graça da minha careta ao devolver o livro pra ela. Mas desta vez ela acertou em cheio.

Como é conhecido, tenho horror a romances, sejam eles mimizentos, sejam eles sérios. Romance é uma coisa que não mexe com meu imaginário e, ainda por cima, me entedia. Não foi o caso de Um Dia. Logo na primeira passada de olhos eu me envolvi. Não sei se era efeito da TPM que me deixou chorona este mês, não sei se foi porque a história redesenhava um passado que vivi… sei lá, mas me prendeu e emocionou do começo ao fim. Lenços e mais lenços de papel pra todas as lágrimas e suspiros. Sem piada. E quem rir verá minha vingança na próxima TPM. Um Dia trata do usual, e talvez seja o fato de ser tão comum que encante tanto. A vida real mexe com os leitores.

Nada mais é do que uma guria bobona, sonhadora e desarranjada que, na noite de formatura, tem um sexo legal com o carinha pop da faculdade, se apaixona e ele é um canalha suuuper estereotipado, mas que encanta ela de uma maneira diferente dos demais caras com quem ela já saiu. O caso clássico do cafa conquistador, o cafa legalzinho, bonitinho e bom de papo. O cafa que trata as feinhas bem (porque ele, por dentro, não é tão mau assim) e depois some porque o tempo e a vida fazem isso por si mesmos.

David Nicholls delineia bem as personalidades dos dois personagens principais, Emma e Dexter (“Em e Dex, Dex e Em”), fazendo com que as loucas da TPM se afeiçoem a eles. Os capítulos são distribuídos nos anos seguintes à formatura. Deixe-me explicar: depois do sexo lindo, da noite maravilhosa, aquele lero lero todo, cada um teve que tomar seu rumo porque a vida é assim, e depois das formaturas sempre vem as separações pra que cada um possa trilhar seu caminho. Foi uma única noite, mas o contato deles não se perdeu, e a cronologia do livro segue um tempo linear, saltando de ano em ano para os ocorridos de 15 de julho, dia de São Swithin. Claramente, o foco do narrador não é mostrar os fatos mais relevantes, mas fazer uma panorâmica do desenrolar da vida do casal de amigos.

Em e Dex se tornaram amigos, apesar de o enredo deixar meio visível que Emma sempre levou mais sentimentos consigo do que Dexter, que era um babacão clássico. Dividiam entre si suas histórias amorosas, seus casinhos, como amigos mesmo. Mas eu não sei se fui eu que tomei as dores, ou se realmente aquilo incomodava Emma. O fato é que o contato deles era constante, até chegar o momento em que a amizade se tornou um tanto insustentável por conta da abobadice de Dexter e a acidez de Emma. Obviamente que, com o passar dos anos, as personalidades foram se fossilizando, como é natural do ser humano, e cada um fez sua carreira como dava. E, talvez, a fase de Dexter apresentador de TV foi a que mais envenenou a amizade dos dois.

Mas como em todo romance mimimi, depois de uma boa tormenta por conta de uma crise na amizade que desencadeou brigas, do casamento/paternidade de Dexter e da viagem de Emma pra Paris pra escrever seus romances infanto-juvenis, eis que vem a bonança…e os dois ficam juntos. Yay! E ela morre. E o livro não acaba depois que ela morre. E quem está lendo se desfaz em lágrimas pensando: MAS COMO ASSIM, PÔ???

Eu, aos prantos e com mil lenços no cestinho ao meu lado, pensei: ah, é só uma trolladinha, daqui a pouco o autor bota a babaquice “mas era só um pesadelo e nada disso aconteceu”. NEGATIVO. Ela morreu e ficou “morrida” até o final. E daí eu entendi que o autor quis foi mostrar como é a vida. Uma desgraça, na linha Cidade dos Anjos. E como é o ser humano também, que tem tudo o que precisa logo ao lado e faz cu doce até cansar e, quando decide investir no que realmente lhe traz felicidade, o outro vai lá e morre porque o tempo é implacável. Ah, e a lição mais importante de todas foi: Uma vez cafa, forever cafa. Dexter termina o livro com a gerente do café dele, aquela que ele passava umas cantadas nos poucos meses em que foi casado com Emma.

Indico a leitura, bem light em termos de vocabulário, o autor é bom enquanto escritor. O livro, em si, é um bom remédio pra TPMs chorosas. Deixa qualquer coração em frangalhos. E, sem piadinhas, acho que tem tudo pra se tornar um clássico no cinema na linha Cidade dos Anjos (que eu tenho horror) e Amor Além da Vida. Mas não me convidem pra assistir, já estou legal de Dexter canalhão e Emma retardada.

Anúncios