Quanta falsidade poderia carregar

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Aquela voz macia

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Aqueles olhos lúcidos

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Aquele sorriso que me clareava as horas

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As frases que chamejavam em meio a tanto frio da tempestade de um inverno que acabou antes mesmo de tanto gelo derreter.

Agora eu queimo como ferro em brasa dentro da saudade de um esquecimento violado dentro do silêncio caótico dessas horas que correm e me escapam às mãos.

E meu corpo é o tempo que estancou e suspende todo o tolo pesar abrigado em mim.

Meu coração secou e mais nada escorre de mim a não ser um vago pensamento incoerente jogado a um canto desse cubículo silencioso que é a minha caixa torácica.

Meu pulsar tornou-se num esgar mendigado por mim mesma na busca do que é o viver. E é em vão todo esse esforço para ver o que existe por trás dessa porta que fechei e lacrei.

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