Ontem, 20/02/2012 Kurt Cobain completaria 45 anos, se não houvesse abreviado sua vida. Pra quem é burro e não sabe, o cara foi o líder da banda Nirvana, a qual (na minha opinião leiga) foi um divisor de águas num período um tanto infértil para o rock. E pra quem é corvo e frequentador assíduo de coluna funerária, ele se matou com um tirinho sutil na rica cara que ele tinha.

E o mais irônico disso tudo é a massa acéfala das redes sociais cagando pela boca uma campanha violenta que chegou aos TT worldwide no Twitter com a hashtag “Happy Birthday Kurt Cobain”. Fora os inúmeros vídeos postados (das mesmas músicas, como Smells Like Teen Spirit ou Lithium) em murais facebookianos em meio ao carnaval, bundas, memes, eu amo a sogra do tio do primo do cunhado da vizinha do meu irmão adotivo e outras merdas que a gente já bem conhece. Tudo em comemoração nostálgica ao aniversário que jamais ocorreria.

Fiquei imaginando a patetada ouvindo Smells Like Teen Spirit com chapeuzinhos cônicos, camisetas do Nirvana/calças jeans/tênis converse, uma mesa de guloseimas cheia de cérebros de goma e várias arminhas de chumbinho pra galera brincar antes do parabéns enquanto Polly pede biscoitos e bebês nus nadam numa piscina atrás de grana. Sim, porque no reino das redes sociais bizarras não é de se duvidar da loucura das pessoas.

Happy birthday??? Oi???

Happy significa feliz em inglês. Uma pessoa que se mata não se mata de tanta felicidade que ela anda, é aí que começa a ironia… e birthday é birth=nascimento day=dia – acho que quem se suicida não quer mais comemorar data de nascimento, muito pelo contrário: Quer abortar a missão de ter nascido, está negando a vida e tudo o que remeta a ela. Dãããã.

Aí, além dessa patetada de feliz aniversário, a Deboritz aqui para e pensa: NUNCA MAIS a maioria das pessoas falou, mencionou ou ouviu Nirvana. Meio que caiu no esquecimento, só os mais fãs mesmo não perderam o fervor com o passar dos anos. Mas o cara faria 45 anos ontem, todo mundo lembra, todo mundo cita, todo mundo canta e vira perito sobre vida, obra e morte da mente que botou uma pimenta no Rock da geração X. Os malditos fãs instantâneos que eu vivo falando (quem me conhece sabe, porque já me ouviu resmungar).

Nunca fui fã de Nirvana. Ouvi, curti, mas não passou disso. Esses dias “re-ouvi” a discografia dos caras, apeteceu… mal sabia eu que ontem ia ter todo o escarcéu da festa de aniversário. Não costumo avaliar o ser humano por trás do som, avalio só a arte e pronto. Acho que idolatrar um suicida é uma ideia até meio doentia, porém respeito quem idolatra.

Enquanto artista, Kurt Cobain não deixou a desejar, o cara sabia o que fazia. Uma genialidade incomparável, transformava dor em arte como ninguém. Mas… decidiu se aposentar cedo, resta dar bom aproveitamento ao que ele deixou como obra a ser admirada.

Espero que ele tenha sido feliz com a escolha dele no caso da espingardinha.

 

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