Eu queria te escrever uma carta… daquelas bem bonitas, na minha melhor caligrafia, com palavras bem floridas, cheias de cores, pra apagar o cinza desse céu que chove. Mas não posso.

Me faltam as tuas cores, as tuas flores, a aquarela da tua presença ressecou… quebrou. E nem as gotas dessa chuva intermitente reúnem mais todo aquele arco-íris que um dia tu me desenhaste.

Queria tanto uma carta que te fizesse ouvir meus sons, o compasso da minha música e a voz das minhas frases tão ridículas. Não consigo.

Se ausentou de mim teu som, a batida que pulsava, os dedilhados que compuseste dentro de mim… os trovões e o gotejar da chuva agora são os decibéis mais altos que eu me permito ouvir. E são incapazes de te refazer.

Desejei te escrever uma carta que abrisse o teu sorriso e colocasse os teus olhos nos meus novamente. Mas as minhas palavras estéreis não vão ter o alcance necessário.

A minha teia de silêncios te cega, a minha ausência de cores te cala. E a minha caligrafia inerte, sem cores, sem flores, não redesenha teu sorriso em mim.

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