O curta acima foi indicação do meu amigo Roig, administrador do Educa Tube. Ele me enviou o link logo após ter lido a postagem que foi ao ar ontem e acabou sendo inevitável que eu criasse este post no lugar do post que iria ao ar hoje.

Clarice Falcão, conhecida por uma canção de amor às avessas, lidou em seu curta com uma espécie de laço diferente do meu laço. Títulos quase iguais, apenas leves diferenças de declinação, mas o que existe em comum é a visualização do laço como algo que prende dois extremos.

Acredito que o intertexto se dá em um ponto fundamental em qualquer laço: o nó. O nó é o que prende, que mantém firme e que muitas vezes não dá a chance de um desligamento. O nó é o formador básico de um laço e, ao mesmo tempo, é o empecilho para um desatamento.

O nó são as memórias, é a estória que se desenrola até que tudo se converta num laço que, muitas vezes não é “bem bonito” ou “firme, mais difícil de fazer e desfazer, mas que quando desfeito pode se orgulhar de si próprio e falar com convicção ‘eu fui um grande laço!'”  o laço pode ser frágil, mas ainda assim será uma união de destinos que em algum momento se cruzaram. Nunca é só um laço, é uma entrega, uma mutação no caminho e no emocional de quem o compõe.

Talvez o intertexto tenha repousado na inescapabilidade – mesmo quando apenas transitória – dos incômodos emocionais, a dificuldade de fugir quando existe um nó que ata dois extremos. Todo mundo guarda um incômodo emocional relacionado a outra pessoa. E esse incômodo não precisa, necessariamente, ser um amor mal resolvido. Os nós são nós em qualquer espécie de relação emocional.

O caráter inescapável dos incômodos emocionais é de inteira responsabilidade da mente, que não descansa, que repetidamente recorre às lembranças do laço que se desfez. Mas como é declarado no curta,  é “bobagem chorar por laços que parecem desfeitos mas que continuam firmes – alguns laços são teimosos“. E são esses os laços inescapáveis, não adianta fugir que eles serão recorrentes nas lembranças por haverem sido eternizados pela própria vida.

E os laços que não são teimosos? Bom, desses a gente trata de arranjar um desenlace por não serem laços legítimos. Um laço não é um laço se não une dois extremos, o nome disso é – ironicamente – nó.

E se não é laço – e é nó – vira canção, carta ou poesia.

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