Eu jamais pensaria que o que nos unia tão intensamente fosse essa linha tão tênue e tão frágil que eu agora vejo completamente rompida nas minhas mãos.

Não consigo acreditar que aquela grandeza sentimental toda era sustentada por um laço mais fino que um fio dos meus cabelos.

Tatuei minhas melhores palavras na tua música mais pesada sem ter tido tino de perceber tua surdez, que tua música era muda e só eu ouvia.

Ouvi sozinha o estalo do fio que nos ligava se rompendo e tentei gritar – mas era só silêncio – e deslindei guerras contra o meu travesseiro enquanto te ausentavas.

A solidão antes de ti, tão minha amiga, tornou-se minha carcereira nas infinitas horas silenciosas que desenhavam um deserto dentro de mim.

E o que mais me perturba é esse adeus estéril que deixou de existir, como um dia sem o final, como uma frase sem conclusão, uma carta sem despedida.

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