Quando a gente pensa que já sabe tudo sobre os homens, vem Steven Carter e Julia Sokol para nos mostrar que não é bem por aí. Há um grupo especial de homens que não são capazes de enfrentar um compromisso, os tais fóbicos.

Não que as mulheres não sejam inteligentes ou suficientemente decentes para eles, simplesmente eles não conseguem lidar com a ideia de compromisso. Respeitando o grau de compromisso e o grau de fobia, os fóbicos estão aí pra destruir corações. E “Homens que não conseguem amar” aparece justamente no momento em que a vítima de um fóbico está quase afogada num caos.

Por experiência pessoal, posso dizer que li este livro no momento certo, pois não conseguia entender certas atitudes do cara com quem eu estava saindo e, sendo bem sincera, quase entregando meu coração. Haviam coisas nele que eu não conseguia entender de forma alguma, mesmo com toda a experiência que uma mulher com a minha idade acaba tendo, seja por vivenciar seus casos, seja por observar os casos mal resolvidos de amigas e amigos que se envolveram com os homens errados.

“Homens que não conseguem amar” me levou à superfície de um mar onde eu iria me afogar… todo o carinho e atenção que só um fóbico pode dispensar quando se identifica com alguém. É o tipo do livro que te dá os tapas na cara necessários pra te fazer acordar de um transe. Verdades extremamente incômodas, soluções nada fáceis e uma sinceridade dolorida pra quem não quer acreditar que o príncipe encantado é o sapo mais cururu da beira da lagoa.

Terminada a leitura, o choque maior é saber que a solução pro tipo de relacionamento que o dito grupo proporciona é nada mais nada menos do que a quebra total de qualquer espécie de vínculo com o cara em quem se depositou toda uma expectativa. Mas é neste mesmo momento de descoberta da solução que se percebe que a separação já se deu, e nem nos demos por conta…afinal, o fóbico fugiu! (e se não fugiu está fazendo por onde tomar seu rumo)

Há que se considerar também que o livro dá instruções de como lidar nestes casos de homens com fobia a compromisso. Além da questão da separação como algo que certamente ocorrerá, vem o ombro amigo dos autores que sabem o quanto vai ser difícil pra mulher lidar com isso quando tudo acaba. Some-se a isso o fato da isenção da culpa da leitora, pois fica evidente que a culpa em caso de relacionamento com esses homens não é completamente da mulher. (parcialmente é SIM, por não saber identificar o canalhão com quem ela se meteu)

Obviamente haverão questionamentos ao estilo “qual o grupo de mulheres é mais propenso a cair nas mãos de um cara com esta fobia?” mas o foco do livro em si não é fazer um painel da mulher que cai na conversa de um fóbico e sim, mostrar como o fóbico acaba conquistando a mulher que deseja, independente do grupo em que ela se encaixa.

Acredito que “Homens que não conseguem amar” presta um favor ao sexo feminino, é quase um manual de instruções dos homens que fogem sem deixar vestígios. Acho até que posso dizer que este é o manual do cafajeste, pois pelo desenho psicológico, se não são cafajestes, não sei então como eles são.

Não dá para sentir pena destes homens, mesmo com a consciência de isso ser uma fobia. Quando a fobia de uma pessoa engendra crueldade para com outra pessoa, os limites da pena e do respeito são rompidos.

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