Estava lembrando com meus botões um ‘causo’ que me aconteceu quando eu tinha lá meus 9, 10 anos de idade, tempo em que eu ainda gostava de ir pra praia salgar a bunda e ter ensolações e queimaduras de mãe-d’água.
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    Numa dessas indiadas farofentas, aqui pelo Cassino mesmo (numa das nossas viagens para os natais com a família), estava eu na água da praia – um diazinho até meio nublado – e eu me imaginava sendo a Ariel, a Pequena Sereia… me achava o máximo! (e era o ó do boró kkkk)
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     Não é que me aparece um menino nadando ali nas proximidades do meu “fundo do mar”? Um menino moreno, de cabelos compridos e o resto eu não sei porque sou péssima fisionomista. O tal menino foi direto:
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– Oi, qual o teu nome bonitinha?
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Eu, ser de sutileza infinita respondi:
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-Bonitinha é o rabo do cachorro! (minha mãe é contra palavrões e se ela descobrisse que falei eu acho que morria) Vai pastar seu maricas de cabelo comprido! (sim, maricas… porque eu li em algum livro)
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O menino, não satisfeito me perguntou:
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– Tu és daqui?
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Eu, ainda bem Deborinha mesmo:
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– Sou e não sou .
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O menino, com aquela cara de “liga pro hospício que essa aí tem que ser medicada”, muito educado:
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– Como alguém pode ser e não ser de algum lugar? Eu sou de Bagé, venho pro Cassino com os meus pais no verão.
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Eu, muito “expliquenta” que era, sempre perdendo a oportunidade de me calar…
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– Pois é, eu nasci em Rio Grande, não no Cassino e me mudei pra São Paulo quando eu tinha 5 anos porque meu pai foi trabalhar lá, daí a minha mãe deixou a faculdade, meu pai alugou um apartamento no décimo andar na Moóca e fomos morar no apartamento do Edifício Califórnia na Avenida Paes de Barros eu, ele, meu irmãozinho que na época era um bebê-nem-tão-bebê de um ano e minha mãe e mais a minha avó que não é bem minha avó mas é minha tia que criou minha mãe e eu chamo ela de vó porque ela cuida de mim que nem vó cuidaria e daí eu moro lá o ano inteiro e volto pra Rio Grande todos os natais venho de viagem de carro o dia inteiro na estrada e eu passo mal e vomito mas eu gosto daqui porque eu nasci aqui e como é verão eu venho pro Cassino com a minha família pra passear.
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O menino, cansado e quase dormindo me larga a ostra que geraria a minha primeira pérola mais surreal:
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– Tu já ficou com alguém?
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(cmofas///////) Muito certa da resposta, me enchi de razão!
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– Mas claro que sim, eu fico todos os dias, com o meu pai, a minha mãe, meu irmão, minha tia Size e mais quem vier… ficamos sempre lá em casa, somos muito unidos!
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(dããããããã)
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E o guri, muito paciente:
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– Mas tu sabe o que é ficar?
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– Claro que eu sei, é um verbo, seu abobado! Verbo que fala sobre a gente permanecer em algum lugar, oras.
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– Não, eu digo ficar, de dar beijo na boca e por aí vai…
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(ãhn????)
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– Ah, tu fala disso? Mas isso é namorar!
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– Não, por um dia só é só ficar, namorar é mais comprido.
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– Ah, então eu não fiquei, não fico e nem quero ficar com ninguém nunca na minha vida porque dar beijo na boca troca muitas bactérias e dá sapinho e herpes! E tu vai pra puta que pariu que eu não quero saber desses assuntos aqui comigo! E se tu disser pra minha mãe que te falei que é pra ir pra puta que pariu eu ainda te cago a pau e te afogo, seu cabeludo bixona!!!
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É, nem sempre o Aurélio me ajudou… :s
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