“Um ego auto-suficiente é uma arma altamente perigosa por ludibriar o que os olhos pensam vislumbrar enquanto o que se pensa ver é, na verdade, uma criação do ego para iludir a si mesmo.”

 

 

Acendeu um cigarro e sentou-se. Naqueles dias só o que lhe ocorria era a busca. Mas não sabia o que buscava.
Caía uma folha aqui, outra ali, afinal estava às vésperas do outono. E só pensava na crueldade do que era a vida sempre naquele ciclo de nascer-viver-morrer. Então, por que a busca?
POR QUE A BUSCA? – perdeu o controle e perguntou-se em clara voz. Por sorte: uma rua sem transeuntes.
Divertia-se ao caminhar pela rua e, ao mesmo tempo perturbava-se por não conseguir entender como aquela gente tola podia ser tão feliz por nada. Mas isso não ajudava. Achava que nunca saberia por que buscar algo, menos ainda o que deveria buscar.
Achava que não devia questionar-se e sim buscar, mas a mente não colaborava: Por quê? O quê? Jamais seria capaz de entender que não devia procurar explicações e menos ainda percebia que sua busca era por uma resposta.
Levantou-se, passou a mão pelos cabelos e recompôs-se… era difícil parecer decente àquelas horas de uma tarde nublada.
-Um dia me esgoto – a voz saía-lhe rouca, sem propagação.
Não fazia sentido arrastar-se pela vida sem conseguir entender os mecanismos mais básicos dela. Não conseguia tirar da cabeça as qustões que, para si, eram tão essenciais. E tão urgentes.

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