Tudo ao meu redor… em um só lugar

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Uma carta…

A distância física não importa, quando os teus pensamentos estão conectados aos meus. E apesar da falta que faz teu toque, é essa saudade que não larga de mim o que me move na tua direção. E nas tuas palavras é onde me abrigo, me sustento e me aqueço.

Por vezes me questionei o destino que nos fez tão longe… mas percebo que nem tão longe estamos quando vejo a tua presença vazando do mais raso de mim.

Eu me agarro à saudade que eu sinto de uma existência que eu pouco toquei e mal sei qual a textura. Me ato a uma ausência sentida que se aparta a cada passo e me aperta o coração em uma dor sem cor nem cheiro.

Me lanço e me abandono nesse turbilhão do eu que tanto se apega ao afago que não tem, nessa busca perdida de ti, que somes e me jogas além do que meus olhos alcançam.

E as minhas vontades são um mar de interrogações angustiantes que me deixam à mercê de incertezas sobre uma inexistência tão minha que teus olhos se materializam aqui.

É num verbo sem fim que me calo nessa tentativa angustiante de te convencer a cair em mim hoje, agora, de imediato e pra sempre.

Sem título #011

Quem sabe um dia te conto
… dos meus segredos, meus medos
Talvez até mesmo eu te conte
… de como brotas sempre de mim
Florido, desenhado em palavras
.
Eu te assustaria se te contasse
que só pelas letras eu te vejo e te construo
E é só por elas que te destruo e te aparto
As letras, as flores e a mudez de ti
E minha lua ansiosa espera incansável
.
Não me abandona por eu ter te contado
o quanto se escancara o meu sorriso
Não foge por saber que tua ausência inexiste no meu peito
Volta, deixa que eu te diga…
Que teu tamanho em mim é maior que a nossa distância.

“In no sense”

Yet, again I feel lost, deary

Maybe I walked too fast

or I did it all too lazy

Took the wrong way, anxiously

.

‘Cuz you put me crazy

And you got me, baby

Tchururu ♫ Tchururu ♫

It seems so true

.

If I got so lost

That’s all your fault

And if I run that much

It is just ’cause you touch

.

you touch ♫ you touch ♫

.

You touch my soul

and that’s so cool

even being so slow

I fell you’re good

.

‘Cuz you put me crazy

And you got me, baby

Tchururu ♫ Tchururu ♫

It seems so true

Achado em diários: A questão da culpa

Hoje conversando com uma colega sobre coisas completamente aleatórias o papo foi mudando tanto que acabou se convertendo em algo grave, fundo e, de certa forma… tocante.

As culpas que levamos na bagagem por muito tempo, se não para sempre. Aquelas que nada apaga ou compensa, as culpas que não se tornam mais leves e que o tempo faz questão absoluta de tornar mais pesadas ainda.

Penso que qualquer ser humano com o mínimo de bom senso e uma pontinha de auto-avaliação tem suas culpas debaixo dos olhos, sob vigilância,  sejam elas veladas ou escancaradas.

Qual o conceito de culpa? Por que sentimos isso? Será que nos culpamos direito? Existe jeito certo e errado para nos culparmos?

Pensamos… logo nos culpamos.

O fato é que certas coisas são inevitáveis e a vida opta por nossos caminhos em ocasiões em que ninguém além de nós deveria optar. É o tal do ka. O que quero dizer é que, por vezes, a vida não nos deixa opções… e aí resta a nós a atitude corajosa perante os percalços impostos ou a covardia de fugir. Por vezes, ainda, nem coragem nem covardia nos sobram: sobra o conviver com a tempestade. E é aí que a culpa acha brecha para se instalar.

Essa menina de quem falei leva a culpa dela como quem leva uma bola de ferro presa ao tornozelo e todos os dias a vida relembra ela. E ela vive com isso. É uma pessoa de personalidade forte, séria e decidida; o mundo não pára ela a menos que ela o permita.

Fico pensando nas minhas culpas nessa hora e vejo que elas são nada. Mas são minhas e não há dia que amanheça em que eu não perceba meu grilhão ali. Culpar aos outros não me bastou, eu só não sabia que as minhas culpas tinham dono…

… e era eu mesma

Dedos (cheia deles)

Meus dedos estão ocupados

Eles não tem mais espaço

são muitas teclas

tenho anéis demais

.

Meus dedos… ocupados

Todos não tem mais tempo

são artes demais

as letras desgastam-nos

.

Nos meus dedos tudo flui

A vida, os sons, ritmos psicóticos

Os meus dedos não permitem vagas

Nem pros meus anéis, nem pro sol

.

… nem pra ti.

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